Saúde • 10:15h • 25 de janeiro de 2026
Programa de caminhadas aumenta atividade física e melhora sintomas em pessoas com asma, aponta estudo
Baseado em entrevistas motivacionais e metas semanais, intervenção estimulou pessoas com asma moderada e grave a realizarem caminhadas diárias
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Uma intervenção baseada em entrevistas motivacionais, aconselhamentos e incentivos conseguiu aumentar a atividade física de pessoas com asma moderada e grave, segundo pesquisa realizada por pesquisadores do Hospital das Clínicas (HC) da Faculdade de Medicina da USP. O estudo mostrou que participantes que aderiram a um programa de caminhadas, com metas semanais definidas junto a profissionais de saúde, alcançaram ao menos 7.500 passos por dia — nível considerado ideal para reduzir os sintomas da doença.
Além do aumento da atividade física, a intervenção contribuiu para a melhora da qualidade de vida e para a redução de sintomas de ansiedade e depressão. O trabalho recebeu o prêmio ERS Congress Sponsorship, da European Respiratory Society, em setembro, e foi publicado no periódico científico The Journal of Allergy and Clinical Immunology: In Practice.
De acordo com o fisioterapeuta Fabiano Francisco de Lima, responsável pelo estudo no Laboratório de Investigação em Fisioterapia e Exercício (Liffe) do HC, pesquisas anteriores já indicavam que pessoas com asma que caminham mais de 7.500 passos diários apresentam menos sintomas. “O aumento da atividade física leva a uma melhora do controle da doença”, explica.
A intervenção é classificada como comportamental por ter como foco a mudança de hábitos. Ela incluiu entrevistas motivacionais, feedbacks positivos e orientações para superar barreiras do dia a dia que dificultam a prática de exercícios físicos.
O programa contou com oito sessões presenciais semanais, de até 90 minutos cada, realizadas no HC. Os participantes receberam um smartwatch para monitorar os passos diários, com alerta vibratório ao atingir a meta estabelecida. As metas eram individualizadas e ajustadas semanalmente em conversas com os profissionais de saúde.
A pesquisa envolveu 100 pessoas com asma moderada e grave, com média de 52 anos de idade. Ao final da intervenção, que teve adesão de 96%, os participantes apresentaram aumento significativo no número de passos diários e na prática de atividades físicas mais intensas, como caminhadas rápidas.
Segundo Lima, os resultados demonstram que é possível estimular pessoas com asma a adotarem um estilo de vida mais ativo, contribuindo para a melhora do controle clínico da doença. “É fundamental que os profissionais de saúde recomendem a prática de atividade física”, afirma. O pesquisador destaca ainda que pessoas menos ativas e com menor peso corporal tendem a responder melhor à intervenção.
O estudo foi desenvolvido sob supervisão do professor Celso Carvalho e contou com financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) e do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq).
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