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Responsabilidade Social • 12:39h • 07 de junho de 2026

Projeto do Butantan cria “Arca das Serpentes” para salvar espécies raras ameaçadas de extinção

Iniciativa do Instituto Butantan mantém jararacas endêmicas de ilhas brasileiras em ambiente controlado e já conseguiu registrar nascimentos inéditos sob cuidados humanos

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Butantan | Foto: Bruna Custódio

Ação permitiu cópula e nascimento inédito sob cuidados humanos e marca avanço na conservação de espécies ameaçadas
Ação permitiu cópula e nascimento inédito sob cuidados humanos e marca avanço na conservação de espécies ameaçadas

Inspirado na ideia de preservar espécies ameaçadas, o Instituto Butantan desenvolve um projeto de conservação voltado a serpentes raras que vivem exclusivamente em ilhas do litoral brasileiro. Batizada de “Operação Arca de Noé”, a iniciativa busca proteger cinco espécies de jararacas endêmicas, criando populações de segurança em ambiente controlado para evitar a extinção desses animais.

O projeto é coordenado pelo Laboratório de Ecologia e Evolução do Butantan (LEEv) e envolve espécies encontradas apenas em ilhas do litoral de São Paulo e do Espírito Santo. Entre elas estão a jararaca-ilhoa, da Ilha da Queimada Grande, e outras serpentes raras como a jararaca-de-alcatrazes, a jararaca-da-moela e a jararaca-dos-franceses.

Segundo os pesquisadores, o isolamento geográfico torna essas populações extremamente vulneráveis. Incêndios, mudanças climáticas, presença humana e alterações ambientais podem provocar impactos graves e até levar ao desaparecimento definitivo das espécies.

Desde 2023, equipes do Butantan realizam expedições científicas às ilhas para estudar o comportamento, a reprodução e as condições de sobrevivência das serpentes. Os animais selecionados são levados para um complexo especializado inaugurado em 2025, com terrários climatizados que reproduzem as características naturais de cada habitat, como temperatura, umidade e incidência solar.

O monitoramento constante permite aos pesquisadores acompanhar a saúde, a genética e os ciclos reprodutivos das serpentes. As análises ajudam a entender como as espécies se adaptam ao ambiente controlado e contribuem para futuras estratégias de preservação.

O projeto alcançou um marco importante em abril de 2026, quando foram registrados os primeiros nascimentos de filhotes de jararaca-dos-franceses em laboratório. Foi a primeira vez que todo o ciclo reprodutivo da espécie — da formação do casal ao nascimento dos filhotes — foi acompanhado sob cuidados humanos.

Os pesquisadores utilizaram monitoramento por câmeras infravermelhas e exames periódicos para acompanhar a reprodução das serpentes. O nascimento dos filhotes representa um avanço importante para os estudos de conservação e amplia as chances de sobrevivência da espécie.

Outro resultado comemorado foi o nascimento de filhotes da jararaca-da-moela, espécie considerada rara e ameaçada. Os cientistas acreditam que fatores como predadores naturais e a presença humana na Ilha da Moela contribuem para a redução da população desses animais na natureza.

Além da preservação em laboratório, o Butantan pretende avançar no desenvolvimento de técnicas de reprodução assistida e na criação de bancos genéticos das espécies. A proposta é garantir diversidade genética suficiente para manter populações saudáveis e, futuramente, até permitir reintroduções na natureza, caso necessário.

Para os pesquisadores, o projeto funciona como uma espécie de “seguro” para a biodiversidade brasileira. Cada novo nascimento representa uma esperança de manter vivas espécies únicas que existem apenas em pequenas ilhas do país.

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