Responsabilidade Social • 14:12h • 23 de maio de 2026
Projeto na Amazônia aposta na “muvuca de sementes” para recuperar áreas degradadas
Iniciativa do Instituto Mamirauá e do Comitê Olímpico do Brasil já restaurou quatro hectares na Floresta Nacional de Tefé e envolve moradores ribeirinhos no processo
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Tácio Melo/Instituto Mamirauá
Misturar diferentes sementes nativas e semeá-las ao mesmo tempo para recuperar áreas degradadas da Amazônia. Essa é a proposta da técnica conhecida como “muvuca de sementes”, utilizada pelo projeto Floresta Olímpica do Brasil, desenvolvido pelo Instituto Mamirauá em parceria com o Comitê Olímpico do Brasil (COB).
A iniciativa começou em 2026 e vem sendo aplicada junto aos moradores da comunidade Bom Jesus da Ponta da Castanha, localizada na Floresta Nacional de Tefé, no Amazonas. Desde janeiro, o projeto já realizou o plantio de cerca de 256 quilos de sementes de mais de 50 espécies diferentes em quatro hectares de áreas degradadas.
Segundo o coordenador operacional do projeto, Jean Quadros, a técnica busca reproduzir o funcionamento natural da floresta.
“O plantio de diferentes espécies ao mesmo tempo imita o banco natural de sementes da floresta, onde cada planta germina no seu próprio tempo”, explica.
O projeto deve seguir até 2030, com a meta de restaurar 6,3 hectares de floresta. Além da recuperação ambiental, a proposta também aposta no fortalecimento das comunidades locais e na geração de renda sustentável.
Moradores da região participaram de treinamentos sobre a técnica e hoje atuam diretamente no processo de coleta, limpeza, secagem, classificação e semeadura das sementes.
Para os participantes, o projeto representa uma nova forma de relação com a floresta, baseada na conservação e no uso sustentável dos recursos naturais.
Técnica mistura tradição, ciência e recuperação ambiental
O termo “muvuca” tem origem africana e remete à ideia de mistura. A prática de semear diferentes espécies ao mesmo tempo, porém, já era utilizada tradicionalmente por povos indígenas para garantir alimento e recuperar áreas utilizadas.
A técnica substitui o modelo tradicional de plantio de mudas individuais. Em vez disso, diferentes sementes são lançadas juntas no solo, o que torna o processo mais rápido e eficiente.
Entre as espécies utilizadas estão plantas pioneiras, de crescimento rápido e cobertura do solo; espécies secundárias, que ajudam na formação da vegetação; e espécies clímax, responsáveis pela composição da floresta madura, como jatobá, ipê-amarelo, açaí, buriti e bacuri.
O processo começa com a preparação do terreno, especialmente em áreas degradadas. A vegetação já existente é mantida como cobertura para preservar a umidade e enriquecer o solo. Depois, a mistura de sementes é distribuída e levemente coberta com terra.
Com o tempo, cada espécie germina de forma natural, formando uma floresta mais diversa, resistente e adaptada às condições da Amazônia.
Além de acelerar a recuperação ambiental, a técnica também favorece o desenvolvimento de raízes mais profundas e aumenta a resistência das plantas, contribuindo para a formação de ecossistemas mais equilibrados e sustentáveis.
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