Mundo • 09:50h • 14 de março de 2026
Projeto quer mudar nome da Rua Peixoto Gomide para Rua Sophia Gomide em São Paulo
Proposta aprovada na CCJ busca reparação histórica ao homenagear vítima de assassinato ocorrido em 1906
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Foto: Divulgação/Ilustração
A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Municipal de São Paulo aprovou na quarta-feira o parecer de legalidade do Projeto de Lei 482/2025, que propõe alterar o nome da Rua Peixoto Gomide, localizada nos bairros Bela Vista e Jardim Paulista, para Rua Sophia Gomide.
A proposta é de autoria das vereadoras Luna Zarattini e Silvia da Bancada Feminista, e tem como objetivo promover uma reparação histórica ao substituir o nome atual do logradouro pelo de Sophia Gomide, jovem assassinada pelo próprio pai em 1906.
Atualmente, a rua homenageia Francisco de Assis Peixoto Gomide Júnior, figura pública da política paulista no início do século XX. De acordo com a justificativa do projeto, ele matou a filha Sophia dentro da própria residência e, em seguida, tirou a própria vida.
Segundo as autoras da proposta, a mudança busca corrigir uma homenagem considerada inadequada diante da história associada ao nome da via. O caso foi registrado pela imprensa da época e aparece em relatos do jornal O Estado de S. Paulo, que descreveu o episódio ocorrido em janeiro de 1906.
CCJ aprova avanço de projeto que homenageia vítima esquecida da história paulistana
De acordo com o registro histórico citado no projeto, Sophia Gomide tinha cerca de 22 anos e se preparava para se casar quando foi assassinada pelo pai dentro da casa da família. Após o disparo contra a filha, o autor do crime se dirigiu a outro cômodo da residência e atirou contra si próprio.
Mesmo com o crime amplamente noticiado na época, em 1914 a Câmara Municipal decidiu homenagear Peixoto Gomide ao dar seu nome a uma das ruas próximas à Avenida Paulista. A vítima, porém, não recebeu qualquer reconhecimento oficial.
A justificativa do projeto também menciona pesquisas acadêmicas que analisam a presença de nomes ligados a autores de violência contra mulheres em espaços públicos. O tema foi abordado no artigo “Vias sujas de sangue: a lei não impede que ruas sejam nomeadas em memória de criminosos que violentaram mulheres”, da pesquisadora Maíra Rosin. Leia o artigo aqui.
Recorte de matéria protocolada junto à justificativa do projeto apresentado à CCJ
Para as vereadoras autoras da proposta, o debate sobre a denominação de ruas faz parte de um processo de revisão histórica e simbólica da cidade.
Segundo Luna Zarattini e Silvia da Bancada Feminista, a mudança pretende evitar que autores de violência sejam homenageados em espaços públicos e, ao mesmo tempo, dar visibilidade a mulheres que foram silenciadas pela história.
Agora, após o parecer favorável da CCJ, o projeto segue para tramitação nas demais comissões da Câmara Municipal antes de ser votado em plenário.
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