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Responsabilidade Social • 14:16h • 20 de junho de 2026

Projeto Tamar de Ubatuba é referência nacional em conservação marinha

Trabalho desenvolvido no litoral norte paulista ajuda a proteger cinco das sete espécies de tartarugas marinhas do mundo; atualmente seis estão em algum nível de ameaça de extinção

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da Alesp | Foto: Henrique Becker/Arquivo pessoal

Tartaruga capturada acidentalmente em pesca.
Tartaruga capturada acidentalmente em pesca.

Presente nos oceanos há mais de 100 milhões de anos, desde a época dos dinossauros, as tartarugas marinhas desempenham papel essencial para o equilíbrio dos ecossistemas marinhos. Apesar de sua longa trajetória evolutiva, essas espécies enfrentam ameaças crescentes provocadas pela ação humana, colocando em risco sua sobrevivência.

A importância da conservação desses animais é lembrada no Dia Internacional da Tartaruga Marinha, celebrado em 16 de junho. A data homenageia o biólogo Archie Carr, considerado um dos principais pioneiros na pesquisa e proteção das tartarugas marinhas em nível mundial.

Atualmente, seis das sete espécies existentes no planeta estão ameaçadas de extinção, segundo avaliações da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN) e do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio). Das sete espécies conhecidas, cinco utilizam o litoral brasileiro para alimentação e reprodução: a tartaruga-verde, a tartaruga-cabeçuda, a tartaruga-de-couro, a tartaruga-de-pente e a tartaruga-oliva.

Apesar do cenário preocupante, iniciativas de conservação têm contribuído para a recuperação de algumas populações. No Brasil, a Fundação Projeto Tamar é uma das principais referências nesse trabalho, atuando há mais de quatro décadas na proteção das tartarugas marinhas.

Criado na década de 1980, o Projeto Tamar iniciou suas atividades com foco na proteção das áreas de desova, dos ninhos e dos filhotes, em uma época em que a captura de fêmeas e a coleta de ovos eram práticas frequentes. Desde 1998, a caça, captura, comercialização e consumo de tartarugas marinhas e seus ovos são proibidos pela Lei de Crimes Ambientais.

Com o passar dos anos, as ações de conservação foram ampliadas para incluir também as áreas de alimentação dos animais. Em Ubatuba, no litoral norte paulista, por exemplo, os esforços estão concentrados na redução das capturas acidentais durante a atividade pesqueira.

Segundo especialistas, o litoral das regiões Sul e Sudeste é uma importante área de alimentação e desenvolvimento para as tartarugas marinhas. As águas mais frias e ricas em nutrientes oferecem condições ideais para que esses animais cresçam antes de seguirem suas rotas migratórias.

Embora as principais áreas de reprodução estejam localizadas no Nordeste, São Paulo tem papel estratégico na conservação das espécies. Um dos diferenciais do trabalho desenvolvido em Ubatuba é a parceria entre pesquisadores e pescadores locais, permitindo a criação de estratégias que reduzem a mortalidade das tartarugas sem comprometer a atividade econômica da pesca.

Pesquisas realizadas na região mostraram que a maioria das capturas de tartarugas-verdes ocorre durante o dia, enquanto grande parte dos peixes é capturada à noite. A partir dessa constatação, foram desenvolvidas orientações para adequar os horários de instalação das redes, diminuindo significativamente o risco para os animais.

Graças à cooperação entre o Projeto Tamar e a comunidade pesqueira, cerca de 14 mil tartarugas capturadas acidentalmente já foram devolvidas ao mar na região desde a década de 1990.

Entre as principais ameaças atuais às tartarugas marinhas está justamente a captura acidental na pesca. Outro desafio crescente é a poluição dos oceanos, especialmente pelo descarte inadequado de resíduos plásticos. Muitas tartarugas confundem plástico com alimento, o que pode causar obstruções no sistema digestivo, desnutrição e até a morte.

Além da ingestão direta, o plástico permanece por décadas ou séculos no ambiente marinho, afetando diferentes espécies ao longo do tempo. Especialistas defendem a redução do consumo de materiais descartáveis, a ampliação da reciclagem, o fortalecimento da coleta seletiva e o compartilhamento de responsabilidades entre governos, empresas e consumidores.

As mudanças climáticas também representam uma ameaça importante. A temperatura da areia influencia diretamente a definição do sexo dos filhotes durante a incubação dos ovos. Alterações significativas nesse equilíbrio natural podem afetar a dinâmica das populações de tartarugas no futuro.

Outro impacto está relacionado à ocupação desordenada das áreas costeiras. A iluminação artificial nas praias interfere na orientação dos filhotes recém-nascidos, que utilizam a luminosidade natural para encontrar o caminho até o mar. Desorientados pelas luzes urbanas, muitos acabam seguindo na direção errada, reduzindo suas chances de sobrevivência.

Apesar dos desafios, os resultados das ações de conservação são animadores. A tartaruga-verde deixou recentemente a lista de espécies ameaçadas de extinção em avaliações nacionais e internacionais, reflexo de décadas de monitoramento, proteção e educação ambiental.

Ainda assim, especialistas alertam que a conservação precisa continuar. No Brasil, quatro espécies permanecem ameaçadas, reforçando a necessidade de ampliar as ações de proteção. Preservar as tartarugas marinhas significa também proteger os oceanos e toda a biodiversidade que depende deles.

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