Saúde • 11:16h • 28 de junho de 2026
Projeto usa atividade física para melhorar a qualidade de vida de pessoas com Alzheimer
Exercícios em grupo ajudam a preservar funções cognitivas, retardar perdas funcionais e promover a socialização de pacientes com demência
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
Com o envelhecimento da população brasileira, cresce também o número de pessoas diagnosticadas com Alzheimer e outras formas de demência. De acordo com o Relatório Nacional sobre Demência 2024, cerca de 1,8 milhão de brasileiros com mais de 60 anos convivem atualmente com essas condições. Diante desse cenário, uma pesquisa desenvolvida na Universidade de São Paulo (USP) aponta a atividade física como importante aliada no cuidado e na qualidade de vida desses pacientes.
O estudo foi conduzido pela pesquisadora Caroline Giolo de Melo, doutora em Ciências pela Escola de Educação Física e Esporte da USP. Segundo ela, a prática regular de exercícios físicos não apenas auxilia na prevenção das demências, como também pode complementar os tratamentos médicos já existentes.
A iniciativa, chamada MoviMente, foi desenvolvida durante o doutorado da pesquisadora e utiliza atividades físicas em grupo para atender pessoas com demência. Além dos exercícios, o projeto estimula a convivência social, reduz o isolamento e busca preservar a autonomia dos participantes por meio de atividades voltadas à manutenção das funções cognitivas e da capacidade funcional.
De acordo com Caroline, a proposta ajuda os pacientes a manterem por mais tempo a independência para realizar tarefas do cotidiano, trazendo benefícios também para familiares e cuidadores.
Os resultados mostraram avanços significativos. Os participantes apresentaram melhora na aptidão física funcional e também no desempenho cognitivo. Para avaliar a cognição, os pesquisadores aplicaram o Mini Exame do Estado Mental antes e após a participação no programa.
Segundo a pesquisadora, todos os participantes registraram aumento na pontuação final em comparação à avaliação inicial, indicando evolução cognitiva ao longo do período analisado.
Além disso, os voluntários relataram melhorias na qualidade do sono, nos hábitos alimentares, na realização de atividades diárias, como subir escadas, e também em aspectos emocionais e sociais. O convívio em grupo favoreceu a troca de experiências entre os pacientes e permitiu que cuidadores construíssem redes de apoio.
Após o término da pesquisa, a experiência foi incorporada pela Secretaria de Esportes de Valinhos, no interior paulista, tornando-se uma política pública do município. A expectativa é que o projeto possa servir de modelo para iniciativas semelhantes em outras cidades brasileiras.
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