Ciência e Tecnologia • 10:04h • 11 de julho de 2026
Projeto usa inteligência artificial para identificar áreas de risco de dengue
Pesquisa combina dados climáticos, ambientais e comportamento da população para criar mapas de risco
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Antônio Volga/Instituto Pasteur
A dengue segue entre os principais desafios da saúde pública no Brasil. Embora fatores como temperatura e umidade sejam reconhecidos como importantes para a transmissão da doença, pesquisadores do Instituto Pasteur de São Paulo (IPSP), criado pelo Instituto Pasteur de Paris em parceria com a USP, acreditam que a dinâmica dos surtos também está relacionada a características específicas do ambiente urbano.
Para aprofundar esse entendimento, o instituto desenvolve um projeto que utiliza inteligência artificial para integrar dados climáticos, indicadores ambientais, infraestrutura urbana e informações sobre a percepção da população em relação à vacinação. A proposta é criar um sistema capaz de identificar áreas com maior risco de transmissão da dengue na cidade de São Paulo.
Coordenada pelo pesquisador Mauro César Cafundó de Morais, do Laboratório de Clima e Saúde do IPSP, a iniciativa reúne instituições nacionais e internacionais, entre elas o Institut Pasteur de Paris. Além de temperatura e umidade, o estudo avaliará fatores como ilhas de calor, acesso à água, cobertura de esgoto e disponibilidade de serviços urbanos. A expectativa é compreender por que algumas regiões registram maior incidência da doença mesmo apresentando condições climáticas semelhantes às de áreas vizinhas.
Mapas de risco e percepção sobre a vacina
Um dos diferenciais do projeto é o desenvolvimento de modelos capazes de gerar mapas de risco em alta resolução. Em vez de trabalhar apenas com dados de municípios ou grandes regiões, os pesquisadores pretendem identificar áreas vulneráveis em escala de bairros e, futuramente, até de quarteirões. A ferramenta poderá contribuir para direcionar de forma mais eficiente as ações de combate ao mosquito e permitir a criação de sistemas de alerta precoce para prevenir surtos.
Outra frente da pesquisa é o monitoramento de redes sociais para analisar como a população percebe a vacina contra a dengue. A chamada escuta social busca identificar tendências, dúvidas e preocupações sobre a imunização a partir de publicações em plataformas digitais, sem avaliar casos individuais. O projeto também investigará a percepção de profissionais de saúde, considerados fundamentais para fortalecer a confiança da população nas vacinas e ampliar a adesão às estratégias de prevenção.
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