Mundo • 19:49h • 19 de julho de 2026
Promover cedo demais pode custar caro: empresas correm o risco de perder seus melhores talentos
Especialista alerta que liderança exige preparo e afirma que transformar desempenho técnico em promoção imediata aumenta riscos de desengajamento, queda de resultados e rotatividade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Lara Assessoria | Foto: Divulgação
Promover um profissional antes de ele estar preparado para liderar pode custar caro para as empresas. A tentativa de reconhecer talentos rapidamente ou preencher cargos estratégicos costuma parecer uma boa decisão, mas, na prática, pode provocar exatamente o efeito contrário: perda de desempenho, aumento da rotatividade e até a saída de profissionais considerados promissores.
O tema ganha ainda mais relevância diante dos desafios de engajamento nas organizações. Segundo o relatório State of the Global Workplace 2026, da Gallup, apenas 21% dos trabalhadores no mundo estão realmente engajados em suas atividades.
Bom técnico nem sempre é um bom líder
Para Alexandre Slivnik, especialista em Recursos Humanos e Treinamento, diretor executivo do IBEX (Institute for Business Excellence), um dos erros mais frequentes das empresas é confundir potencial técnico com capacidade de liderança.
Segundo ele, entregar resultados na função atual não significa, necessariamente, estar preparado para desenvolver pessoas, administrar conflitos, tomar decisões estratégicas e conduzir equipes.
"Liderança não é um prêmio pelo bom desempenho. É uma competência que precisa ser desenvolvida ao longo do tempo. Quando a promoção acontece antes dessa preparação, aumenta o risco de a empresa perder exatamente o profissional que desejava reter", afirma.
Crescimento exige etapas
O especialista explica que desenvolver talentos não significa acelerar promoções, mas ampliar responsabilidades de forma gradual.
Projetos estratégicos, mentorias, coordenação de equipes em situações específicas e acompanhamento próximo da liderança permitem que o profissional desenvolva novas competências antes de assumir definitivamente uma posição de gestão.
Segundo Slivnik, esse processo reduz inseguranças e fortalece a capacidade de liderança de maneira consistente.
Gestores também precisam de formação
O desafio não termina após a promoção. Dados do State of the Global Workplace 2025 mostram que apenas 44% dos gestores afirmam ter recebido treinamento formal para liderar equipes, enquanto o índice de engajamento entre líderes também apresentou queda.
Para o especialista, muitas empresas ainda seguem uma lógica equivocada: promovem primeiro e treinam depois. "O líder precisa aprender antes de assumir a liderança. Quanto mais estruturado for esse processo, maiores são as chances de sucesso para o profissional e para a empresa."
Formação de líderes virou estratégia
Na avaliação do executivo, preparar futuras lideranças deixou de ser uma responsabilidade exclusiva do setor de Recursos Humanos e passou a integrar a estratégia de crescimento das organizações.
Empresas que investem continuamente na formação de seus profissionais tendem a fortalecer a cultura organizacional, reduzir a rotatividade e criar equipes mais preparadas para enfrentar novos desafios.
"O papel de um líder também é formar novos líderes. Organizações que respeitam o tempo de desenvolvimento constroem equipes mais maduras, consistentes e sustentáveis no longo prazo", conclui.
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