Mundo • 12:35h • 05 de julho de 2026
Proporção de crianças com celular cai; segurança é motivo mais citado
Faixa etária de 10 a 13 anos é a única que registrou recuo em 2025
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A preocupação com privacidade e segurança passou a ser o principal motivo para que pais e responsáveis deixem de dar telefone celular a crianças e adolescentes. É o que revela o módulo de Tecnologia da Informação e Comunicação da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad Contínua), divulgado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Em 2025, a proporção de crianças de 10 a 13 anos com celular caiu pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2016. No ano passado, 55,2% dos brasileiros dessa faixa etária possuíam o aparelho, uma redução de 1,5 ponto percentual em relação a 2024.
Entre as crianças que ainda não têm celular, a principal justificativa apresentada pelos responsáveis foi a preocupação com privacidade e segurança, citada por 32% dos entrevistados, um aumento de 7,8 pontos percentuais em comparação ao ano anterior. Desde 2022, esse percentual praticamente dobrou.
Há três anos, o cenário era diferente. Na época, o principal motivo para não fornecer um celular às crianças era o alto custo do aparelho, seguido da falta de necessidade e do fato de elas utilizarem o telefone de outra pessoa. A preocupação com segurança aparecia apenas na quarta colocação.
Segundo o analista do IBGE Gustavo Fontes, a faixa de 10 a 13 anos foi a única que apresentou redução na posse de celulares em 2025. Nas demais idades, o uso continuou crescendo e atingiu 89,8% da população.
De acordo com o pesquisador, o aumento da preocupação com a exposição de crianças nas redes sociais e as restrições ao uso de celulares nas escolas podem ter contribuído para esse comportamento.
A pesquisa também identificou uma pequena queda no acesso à internet entre crianças de 10 a 13 anos, independentemente do dispositivo utilizado. O índice passou de 84,9% para 84,4%. Entre aquelas que permanecem desconectadas, a principal justificativa continua sendo a falta de necessidade, enquanto a preocupação com privacidade e segurança aparece como o segundo motivo mais citado.
Esse foi o único grupo etário que registrou redução no acesso à internet. Entre os adolescentes de 14 a 19 anos, houve estabilidade, enquanto, na população em geral, o percentual de usuários da internet aumentou de 89,2% para 90,5%.
Uso da tecnologia cresce entre idosos
Outro destaque do levantamento é o avanço da inclusão digital entre a população com 60 anos ou mais. Em 2025, 74,5% dos idosos utilizavam a internet, alta de 4,4 pontos percentuais em relação ao ano anterior e de mais de 29 pontos percentuais na comparação com 2019.
A posse de celulares também aumentou nesse grupo, passando de 78,3% em 2024 para 80,3% em 2025.
Diferentemente do que ocorre entre as crianças, o principal motivo apontado pelos idosos que ainda não utilizam internet ou celular é a dificuldade de usar essas tecnologias.
Para Gustavo Fontes, a crescente digitalização dos serviços tem incentivado a inclusão desse público. Segundo ele, cada vez mais atividades do dia a dia dependem da internet, o que estimula os idosos a aprenderem a utilizar ferramentas digitais.
O levantamento confirma essa tendência. Em 2025, 74,2% dos usuários acessaram bancos ou instituições financeiras pela internet, um crescimento de 14,4 pontos percentuais em relação a 2022. O uso da rede para acessar serviços públicos também aumentou, passando de 33,2% para 41,1% no mesmo período.
Pela primeira vez, mais da metade dos brasileiros conectados afirmou realizar compras ou contratar serviços pela internet. O percentual subiu de 47,9% para 52,7%.
Entre as atividades mais frequentes na rede, lideram as chamadas de voz e vídeo, utilizadas por 95,3% dos internautas. Em seguida aparecem o envio de mensagens de texto, voz e imagens por aplicativos, citado por 90,2%, e o consumo de vídeos, filmes, séries e programas online, hábito de 89,3% dos usuários da internet.
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