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Ciência e Tecnologia • 09:09h • 22 de fevereiro de 2026

Própolis verde mostra potencial contra doenças neurodegenerativas, aponta estudo da USP

Compostos naturais estimularam regeneração e proteção de neurônios em testes laboratoriais, indicando novas possibilidades para Alzheimer e Parkinson

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Michel Stórquio Belmiro/Wikimedia Commons/CC BY-SA 3.0

Abelha operária (Apis mellifera) coletando resina de alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) que ao entrar em contato com enzimas de sua saliva torna-se própolis verde.
Abelha operária (Apis mellifera) coletando resina de alecrim-do-campo (Baccharis dracunculifolia) que ao entrar em contato com enzimas de sua saliva torna-se própolis verde.

Conhecida por suas propriedades antibacterianas e medicinais, a própolis ganhou uma nova dimensão terapêutica. Pesquisadores da Faculdade de Ciências Farmacêuticas de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (USP) identificaram que compostos da própolis verde podem atuar na proteção e regeneração de neurônios, abrindo caminhos para estudos voltados a doenças neurodegenerativas.

A própolis verde é produzida a partir da resina do alecrim-do-campo, planta nativa do Brasil, misturada pelas abelhas com saliva e cera. Ao isolar dois de seus principais compostos — Artepelin C e Bacarina — os pesquisadores observaram, em estudos laboratoriais, que essas substâncias conseguem estimular a diferenciação neuronal, aumentar a conexão entre células nervosas e reduzir a morte celular.

Os experimentos foram realizados em cultura de células, durante o doutorado do farmacêutico Gabriel Rocha Caldas, sob orientação do professor Jairo Kenupp Bastos. Segundo o pesquisador, os resultados indicam uma linha promissora para prevenção e controle de doenças do sistema nervoso, além de valorizar um produto tipicamente brasileiro com potencial científico e econômico.

Para entender como os compostos atuam, a equipe utilizou modelagem computacional e testes com células PC12, usadas como modelo de neurônios. As análises mostraram que as moléculas têm características favoráveis para atingir o tecido nervoso. Uma modificação química aplicada ao Artepelin C também facilitou sua passagem pela barreira hematoencefálica, que protege o cérebro.

Nos testes práticos, as células tratadas passaram a formar neuritos — estruturas essenciais para a comunicação entre neurônios — e apresentaram aumento de proteínas ligadas ao crescimento e à formação de novas conexões. Os compostos também demonstraram ação antioxidante e antiapoptótica, reduzindo danos causados pelo estresse celular.

De acordo com os pesquisadores, esses efeitos indicam potencial de proteção neuronal, especialmente em fases iniciais de doenças neurodegenerativas, embora ainda sejam necessários estudos futuros para confirmar a aplicação clínica em humanos.

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