Responsabilidade Social • 18:31h • 18 de julho de 2026
Puerpério: ciência atualiza cuidados com o bebê sem diminuir a importância dos avós
Rede de apoio ajuda a reduzir a sobrecarga no pós-parto, enquanto recomendações atualizadas substituem práticas comuns de gerações anteriores
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
A chegada de um bebê costuma reunir toda a família em torno de um mesmo objetivo: cuidar da mãe e do recém-nascido. Nesse período, conhecido como puerpério, os avós continuam desempenhando um papel fundamental na rede de apoio. Ao mesmo tempo, a evolução da medicina e das recomendações pediátricas fez com que muitos hábitos considerados corretos no passado fossem substituídos por práticas mais seguras.
Especialistas afirmam que o desafio atual não é escolher entre experiência ou ciência, mas unir o conhecimento acumulado pelas gerações anteriores às orientações baseadas em evidências para oferecer um ambiente mais acolhedor e seguro para toda a família.
Rede de apoio faz diferença na recuperação da mãe
Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) apontam que o apoio familiar é um dos principais fatores de proteção para a saúde mental durante o pós-parto. Estima-se que entre 10% e 20% das mulheres desenvolvam depressão pós-parto, condição que pode ser amenizada quando existe uma rede de apoio presente e bem orientada.
Além dos cuidados com o bebê, os avós costumam colaborar nas tarefas domésticas, no acolhimento emocional e na organização da rotina, reduzindo a sobrecarga da família nos primeiros meses após o nascimento.
O que mudou nos cuidados com o recém-nascido
Diversas recomendações foram atualizadas nas últimas décadas. Uma das principais mudanças está na posição para dormir. Atualmente, a orientação é que o bebê seja colocado sempre de barriga para cima, medida considerada a mais segura para reduzir o risco da Síndrome da Morte Súbita Infantil.
Outra recomendação diz respeito à alimentação. Diferentemente do que era comum no passado, água, chás e outros líquidos não devem ser oferecidos nos primeiros meses de vida. O Ministério da Saúde e a Organização Mundial da Saúde recomendam aleitamento materno exclusivo até os seis meses, já que o leite materno fornece hidratação e nutrientes suficientes para essa fase.
Também deixaram de ser indicadas práticas caseiras para o cuidado do coto umbilical, como uso de álcool, pó de café, faixas ou moedas. Hoje, a recomendação é manter a higienização conforme orientação dos profissionais de saúde.
Colo deixou de ser visto como "manha"
Outra mudança importante envolve o contato físico. A ideia de que pegar o bebê no colo poderia "acostumá-lo mal" foi superada pelas evidências científicas. Atualmente, o colo é reconhecido como uma prática importante para fortalecer o vínculo afetivo, transmitir segurança emocional e contribuir para o desenvolvimento infantil.
Segundo Elita Valentim, assistente social do Hospital Maternidade Paulino Werneck, no Rio de Janeiro, os avós continuam sendo peças fundamentais durante o puerpério, desde que as orientações atuais sejam respeitadas.
"Os avós têm um papel insubstituível no acolhimento durante o puerpério. Além da ajuda prática, contribuem para reduzir o sentimento de isolamento que muitas pessoas vivenciam após o parto. Ao mesmo tempo, é importante compreender que a assistência à saúde evolui continuamente. Quando tradição e ciência dialogam, todos ganham", afirma.
A especialista destaca ainda que incluir toda a rede de apoio nas orientações recebidas durante o pré-natal e no acompanhamento pós-parto ajuda a reduzir conflitos, fortalece a confiança entre familiares e contribui para um cuidado mais seguro com o bebê.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos