Responsabilidade Social • 12:35h • 19 de janeiro de 2026
Quando o trote vira emergência: falsas ligações pressionam o SAMU e custam vidas
Quase 400 ligações falsas no primeiro semestre de 2025 pressionam a Central de Regulação e podem atrasar socorro a pacientes em risco
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Souk Assessoria | Foto: Divulgação
As ligações falsas seguem como um dos principais desafios operacionais do atendimento de urgência nos Campos Gerais. Dados divulgados pelo Consórcio Intermunicipal Samu dos Campos Gerais mostram que, entre janeiro e junho de 2025, a Central de Regulação Médica de Urgências recebeu 398 trotes. O volume elevado e constante ao longo dos meses representa um risco direto à eficiência do sistema e à segurança de quem depende do atendimento rápido do SAMU.
Segundo o balanço do consórcio, os trotes se distribuíram de forma recorrente ao longo do semestre:
- 82 ligações em janeiro;
- 54 ligações em fevereiro;
- 89 ligações em março;
- 67 ligações em abril;
- 59 ligações em maio;
- 47 ligações em junho.
O padrão indica que as falsas chamadas não são episódios isolados, mas um comportamento persistente que impacta a rotina do serviço de emergência.
A diretora-geral do CIMSAMU, Emanuelle Schuck, alerta que o problema se agrava em um contexto de alta demanda. De acordo com ela, a Central enfrenta frequentemente períodos de pico, quando o grande número de ligações simultâneas gera filas de espera, especialmente em ocorrências mais complexas. Nesses momentos, cada trote amplia o tempo de resposta e compromete a eficiência da rede de urgência e emergência.
Do ponto de vista operacional, os prejuízos são imediatos
Em horários de maior movimento, geralmente no fim da tarde, à noite e nos fins de semana, a Central precisa gerenciar múltiplas ocorrências ao mesmo tempo, priorizando casos conforme a gravidade. Uma ligação falsa pode desviar a atenção das equipes, mobilizar uma ambulância desnecessariamente e atrasar o atendimento de um paciente em situação real de risco.
O médico Rodrigo Lagos, que atua na Central de Regulação da SMB Gestão em Saúde, explica que toda chamada recebida ativa protocolos rigorosos. Segundo ele, mesmo uma única ligação falsa pode retirar uma ambulância de circulação, comprometer o fluxo da rede hospitalar e retardar o socorro em emergências reais, em que minutos podem ser decisivos para o desfecho clínico.
Além do impacto assistencial, os trotes geram custos financeiros significativos
Estimativas do serviço apontam que cada ocorrência falsa gera um gasto médio entre R$ 400 e R$ 700, considerando deslocamento de ambulâncias, consumo de combustível, desgaste da frota, uso de equipamentos e mobilização das equipes de saúde.
Há ainda implicações legais. O artigo 266 do Código Penal Brasileiro prevê pena de detenção de um a seis meses ou multa para quem aciona falsamente ou perturba um serviço público. Em situações em que o trote resulte em atraso ou impedimento de socorro a uma vítima real, o responsável pode responder também por omissão de socorro e, em casos extremos, por homicídio culposo, conforme a legislação vigente.
Diante do cenário, o CIMSAMU reforça que o número 192 deve ser utilizado exclusivamente em situações reais de urgência e emergência. A instituição destaca que a conscientização da população é fundamental para garantir a rapidez do atendimento e evitar que ações irresponsáveis coloquem vidas em risco.
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