Responsabilidade Social • 18:25h • 01 de julho de 2026
Quase 70% dos diagnósticos de autismo no Brasil aconteceram nos últimos cinco anos, aponta pesquisa
Maior levantamento sobre o tema na América Latina mostra avanço no diagnóstico precoce, desafios de inclusão e perfil da população autista no país
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Âncora1
O Brasil registrou uma forte expansão nos diagnósticos de Transtorno do Espectro Autista (TEA) entre 2020 e 2024. De acordo com a edição 2026 do Mapa Autismo Brasil (MAB), considerada a maior pesquisa sobre o tema na América Latina, quase 70% dos diagnósticos ocorreram nesse período, indicando um avanço expressivo na identificação da condição nos últimos anos.
O levantamento ouviu mais de 23 mil pessoas, entre autistas e familiares, em todos os estados brasileiros e no Distrito Federal. A pesquisa busca compreender quem são essas pessoas, como vivem e quais desafios ainda enfrentam no acesso à saúde, educação, trabalho e políticas públicas.
Segundo o Censo Demográfico 2022, o Brasil possui aproximadamente 2,4 milhões de pessoas autistas, o equivalente a 1,2% da população.
Diagnóstico precoce se torna cada vez mais comum
Um dos principais destaques do estudo é a idade em que o diagnóstico tem sido realizado. Segundo a pesquisa, 72,1% dos participantes têm entre 0 e 17 anos, demonstrando que o reconhecimento do autismo ocorre cada vez mais cedo.
Os dados mostram que 51,7% receberam o diagnóstico entre 0 e 4 anos, enquanto 17,1% foram diagnosticados entre 5 e 9 anos, reforçando a importância da identificação precoce para ampliar o acesso às intervenções e ao acompanhamento especializado.
A pesquisa também revela que 65,3% dos participantes são homens e 34,2% são mulheres, proporção semelhante à observada em estudos internacionais. Os pesquisadores destacam, porém, que esse cenário pode refletir dificuldades históricas no diagnóstico de meninas e mulheres autistas.
Saúde, trabalho e inclusão ainda apresentam desafios
O levantamento mostra que 55,3% dos diagnósticos foram realizados por médicos da rede particular, enquanto 23,1% ocorreram por meio de planos de saúde e 20,4% pelo Sistema Único de Saúde (SUS).
Outro dado relevante é que 36,7% dos participantes possuem a Carteira de Identificação da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista (Ciptea). Apesar disso, apenas 30% afirmaram utilizar os serviços especiais destinados à população autista, enquanto 22,1% disseram não fazer uso desses benefícios.
No mercado de trabalho, a pesquisa aponta que 30% dos entrevistados estão desempregados. Entre aqueles que possuem ocupação, 21,2% trabalham no serviço público, indicando uma presença significativa em carreiras acessadas por meio de concursos públicos.
Estudo amplia conhecimento sobre a realidade do autismo
Criado pelo Instituto Autismos e patrocinado pelo Instituto Sabin, o Mapa Autismo Brasil começou em 2023 com um recorte regional no Distrito Federal. Em 2026, tornou-se um levantamento nacional, aprovado pelo Comitê de Ética da Universidade de Brasília (UnB).
Além dos dados sobre diagnóstico, o estudo reúne informações sobre escolaridade, renda, mercado de trabalho e acesso às políticas públicas, oferecendo um panorama que pode contribuir para o planejamento de ações voltadas à inclusão e ao atendimento da população autista.
Para os pesquisadores, compreender quem são as pessoas autistas e como elas vivem é um passo importante para aperfeiçoar serviços, fortalecer políticas públicas e ampliar o acesso aos direitos já previstos na legislação brasileira.
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