Economia • 20:44h • 22 de julho de 2026
Quase 9 em cada 10 brasileiros buscam empréstimo para pagar contas, aponta estudo
Levantamento baseado em mais de 10 milhões de solicitações mostra mudança no perfil do crédito, com aumento da procura por valores menores para cobrir despesas do dia a dia
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O empréstimo pessoal deixou de ser, para muitos brasileiros, uma ferramenta para investir ou realizar projetos e passou a ser uma alternativa para manter as contas em dia. Um levantamento da plataforma Juros Baixos mostra que 91,4% dos pedidos de crédito feitos em dezembro de 2025 tinham como principal objetivo o pagamento de contas, percentual muito superior aos 66% registrados em outubro de 2024.
Os dados fazem parte do IJBE Q1/2026 (Índice Juros Baixos de Empréstimo), elaborado a partir de mais de 10 milhões de solicitações reais de crédito, que somaram mais de R$ 50 bilhões em demanda no período analisado.
Empréstimo virou alternativa para equilibrar o orçamento
O estudo mostra que, no fim de 2025, apenas uma em cada dez solicitações de empréstimo não estava relacionada ao pagamento de boletos, dívidas ou outras despesas em aberto.
O crescimento mais expressivo ocorreu em maio de 2025, quando a participação dessa finalidade saltou de 67% para 84,5% em apenas um mês. Segundo o levantamento, esse movimento coincidiu com a elevação da taxa Selic para 14,75% ao ano e com um período de maior pressão da inflação sobre o orçamento das famílias.
Ao mesmo tempo, outras finalidades perderam espaço. Os pedidos destinados a investimentos caíram de 10,4% para 2,5%, enquanto os financiamentos voltados para casa e reforma passaram a representar apenas 1,4% das solicitações.
Brasileiros passaram a pedir valores menores
Outro dado apontado pelo índice é a redução no valor médio solicitado. Mesmo com o aumento da procura por crédito, o montante pedido caiu 26% em relação ao início da série histórica, indicando que muitos consumidores passaram a buscar empréstimos menores para resolver despesas imediatas do orçamento doméstico.
O estudo também mostra que os brasileiros têm pesquisado mais antes de contratar crédito. Em média, cada consumidor realizou 2,56 simulações antes de fechar um empréstimo pessoal.
Procura cresceu mesmo com juros elevados
Durante o período analisado, o mercado enfrentou um ciclo de juros elevados. A taxa Selic passou de 10,75% ao ano, em outubro de 2024, para 15% ao ano em julho de 2025, permanecendo nesse patamar por oito meses até recuar para 14,75%, em março de 2026.
Mesmo com o crédito mais caro, o número de solicitações registradas pela plataforma cresceu 2,6 vezes.
Na avaliação da Juros Baixos, os dados indicam que, diante da necessidade de quitar contas vencidas, muitos consumidores optam por contratar crédito mesmo em um cenário de juros elevados, priorizando a solução imediata das dificuldades financeiras.
Falta de planejamento ainda é principal barreira
Além de analisar a demanda por empréstimos, o estudo identificou os fatores que mais dificultam o acesso ao crédito formal.
A falta de planejamento financeiro foi apontada por 68% dos participantes como o principal obstáculo. Em seguida aparecem o medo do endividamento excessivo (54%), a percepção de juros altos (49%), a incerteza sobre a capacidade de pagamento (42%), o desconhecimento dos produtos financeiros disponíveis (31%) e o score de crédito considerado insuficiente (27%).
Segundo a plataforma, esses resultados mostram que ampliar o acesso ao crédito depende não apenas das condições oferecidas pelas instituições financeiras, mas também de educação financeira, organização do orçamento e comparação entre diferentes ofertas.
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