Responsabilidade Social • 09:02h • 18 de junho de 2026
Quase metade das crianças do mundo está exposta a riscos climáticos
No Brasil, crianças e adolescentes convivem com calor extremo e secas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Quase metade das crianças e adolescentes do planeta vive exposta a múltiplas ameaças climáticas que colocam em risco sua saúde, educação e qualidade de vida. É o que aponta o Relatório de Risco Climático das Crianças 2026, divulgado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef).
Segundo o estudo, cerca de 1,1 bilhão de crianças e adolescentes em todo o mundo enfrentam pelo menos três riscos climáticos simultaneamente. Além disso, mais de 4 milhões estão expostos a seis diferentes ameaças ambientais ao mesmo tempo.
O levantamento mostra que praticamente todas as crianças do mundo convivem com ao menos um risco climático. No Brasil, a situação também é preocupante: aproximadamente 16 milhões de crianças e adolescentes estão expostos a três ou mais ameaças climáticas, como ondas de calor e secas. O número representa cerca de três em cada dez crianças brasileiras. Quando considerados dois ou mais riscos, esse total ultrapassa 30 milhões, o equivalente a seis em cada dez crianças e adolescentes do país.
O relatório utiliza os dados mais recentes disponíveis para analisar a exposição infantil a oito dos principais eventos climáticos extremos observados globalmente: enchentes costeiras, secas, calor extremo, queimadas, ondas de calor, enchentes fluviais, tempestades de areia e poeira e tempestades tropicais.
Pela primeira vez, o estudo detalha onde essas ameaças se concentram, a intensidade com que afetam crianças e adolescentes e os impactos sobre serviços essenciais, como saúde, educação, abastecimento de água e saneamento.
Entre os riscos mais comuns identificados está a combinação de seca, calor extremo e ondas de calor, que afeta mais de 296 milhões de crianças e adolescentes em todo o mundo. A segunda combinação mais frequente reúne seca, calor extremo e tempestades tropicais, atingindo mais de 115 milhões de jovens.
Em regiões como o Sahel, na África, mais de 4 milhões de crianças convivem simultaneamente com ondas de calor, calor extremo e tempestades de areia e poeira. Já em países asiáticos como Bangladesh, Mianmar e Paquistão, os níveis de exposição a múltiplos riscos climáticos estão entre os mais elevados do planeta.
Os impactos também atingem países de alta renda. Na Itália, por exemplo, mais de 6 milhões de crianças e adolescentes vivem em áreas sujeitas a ondas de calor prolongadas e períodos de seca.
Além dos eventos climáticos extremos, o relatório também avaliou a exposição infantil à poluição do ar e à malária, dois problemas diretamente influenciados pelas mudanças climáticas. Os resultados mostram que quase todas as crianças do mundo estão expostas à poluição atmosférica, enquanto cerca de 1 bilhão vivem em áreas de risco para a malária.
No Brasil, aproximadamente 95% das crianças e adolescentes — cerca de 47 milhões de pessoas — convivem com a poluição do ar. Já 5,6 milhões estão expostos ao risco de malária.
O Unicef alerta que, sem ações urgentes para reduzir as emissões de gases de efeito estufa, os eventos climáticos extremos tendem a se tornar mais frequentes e intensos, aumentando a pressão sobre os sistemas de saúde, educação, assistência social e infraestrutura pública.
Para enfrentar esse cenário, a organização recomenda acelerar a redução das emissões de carbono, ampliar investimentos em energias renováveis, fortalecer políticas de adaptação climática e tornar os serviços públicos mais resilientes aos impactos ambientais.
Entre as medidas consideradas prioritárias estão a criação de escolas e unidades de saúde adaptadas às mudanças climáticas, o fortalecimento dos sistemas de abastecimento de água e saneamento, a ampliação dos mecanismos de proteção social em situações de emergência, a garantia da segurança alimentar e o desenvolvimento de sistemas de alerta precoce voltados para crianças e adolescentes.
O relatório também destaca a importância de incluir crianças e jovens nas discussões e decisões relacionadas às políticas climáticas, investindo em educação ambiental e no desenvolvimento de habilidades que permitam às novas gerações participar ativamente das soluções para a crise climática.
Segundo o Unicef, o mapeamento detalhado dos riscos pode ajudar governos e gestores públicos a planejar melhor suas ações e direcionar investimentos para proteger a população infantil diante dos impactos cada vez mais intensos das mudanças climáticas.
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