Saúde • 07:48h • 25 de fevereiro de 2026
Quatro em cada dez mortes por câncer no Brasil são evitáveis
Estudo internacional foi publicado pela revista The Lancet
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
Um estudo internacional aponta que 43,2% das mortes por câncer no Brasil poderiam ser evitadas com medidas de prevenção, diagnóstico precoce e acesso adequado ao tratamento. A estimativa indica que, dos casos diagnosticados no país em 2022, cerca de 253,2 mil devem levar a óbito em até cinco anos, sendo que aproximadamente 109,4 mil dessas mortes seriam evitáveis.
Os dados fazem parte de uma pesquisa publicada na revista científica The Lancet e conduzida por pesquisadores ligados à Agência Internacional para Pesquisa em Câncer, órgão vinculado à Organização Mundial da Saúde. No Brasil, as mortes evitáveis se dividem em dois grupos: cerca de 65,2 mil seriam preveníveis — ou seja, a doença poderia não ter ocorrido — e outras 44,2 mil poderiam ser evitadas com diagnóstico precoce e tratamento adequado.
Em escala global, o estudo analisou 35 tipos de câncer em 185 países e concluiu que 47,6% das mortes pela doença poderiam ser evitadas. Isso representa quase 4,5 milhões dos 9,4 milhões de óbitos registrados no mundo. Do total, 33,2% seriam preveníveis e 14,4% poderiam ser reduzidos com detecção precoce e acesso a terapias.
Os principais fatores de risco associados às mortes evitáveis incluem tabagismo, consumo de álcool, excesso de peso, exposição à radiação ultravioleta e infecções causadas por agentes como HPV, vírus da hepatite e a bactéria Helicobacter pylori.
O estudo também evidencia grandes desigualdades entre países. Nações do norte da Europa apresentam cerca de 30% de mortes evitáveis, enquanto alguns países africanos chegam a mais de 70%. A América do Sul registra média de 43,8%, índice próximo ao brasileiro.
As disparidades também aparecem quando se considera o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), indicador das Nações Unidas. Em países de baixo IDH, 60,8% das mortes poderiam ser evitadas, proporção que cai para 40,5% nas nações de IDH muito alto. O Brasil está no grupo de IDH alto.
Entre os tipos de câncer, pulmão, fígado, estômago, colorretal e colo do útero concentram 59,1% das mortes evitáveis. O câncer de pulmão é o principal entre os casos preveníveis, enquanto o câncer de mama lidera entre aqueles que poderiam ser reduzidos com diagnóstico e tratamento oportunos.
Os pesquisadores defendem ações como redução do tabagismo e do consumo de álcool, combate ao excesso de peso, regulação de alimentos não saudáveis, vacinação contra infecções associadas ao câncer e ampliação do diagnóstico precoce, especialmente para câncer de mama.
No Brasil, campanhas de prevenção e detecção precoce são realizadas regularmente pelo Ministério da Saúde e pelo Instituto Nacional de Câncer.
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