Mundo • 14:45h • 23 de junho de 2026
Quatro golpes imobiliários que continuam fazendo vítimas e como evitá-los
Falsos corretores, imóveis inexistentes e pedidos de pagamento antecipado estão entre as fraudes mais comuns do mercado imobiliário
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova Ideia | Foto: Arquivo/Âncora1
Comprar ou vender um imóvel continua sendo uma das decisões financeiras mais importantes da vida. Mas, em um mercado cada vez mais digital, também cresce o número de fraudes que podem transformar o sonho da casa própria ou de um investimento em um grande prejuízo financeiro.
Entre os golpes mais recorrentes estão a atuação de falsos corretores, anúncios de imóveis inexistentes, a venda do mesmo imóvel para mais de uma pessoa e a exigência de pagamentos antecipados sem garantias documentais. Segundo alertas divulgados pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (CRECISP), essas práticas permanecem entre as principais fraudes registradas no setor.
De acordo com a advogada especialista em Direito Imobiliário de alto padrão, Gabriela Pereira, os criminosos costumam explorar dois fatores ao mesmo tempo: a confiança e a urgência. "O criminoso tenta criar um ambiente de urgência e confiança ao mesmo tempo. Ele oferece um imóvel com preço atrativo, apresenta documentos ou conversas que parecem legítimos e conduz a vítima para uma decisão rápida, antes que ela faça as verificações essenciais", explica.
O golpe do falso corretor
Uma das fraudes mais comuns ocorre quando golpistas se apresentam como corretores ou representantes de imobiliárias sem possuir qualquer registro profissional.
Utilizando redes sociais, aplicativos de mensagens e plataformas de anúncios, eles simulam negociações legítimas e convencem compradores ou locatários a realizar pagamentos antes da conferência da documentação.
Por isso, especialistas recomendam sempre verificar se o profissional possui registro ativo no CRECI antes de qualquer negociação.
Imóveis que não existem ou não podem ser vendidos
Outra prática recorrente envolve anúncios de imóveis inexistentes ou de propriedades que não pertencem à pessoa que está negociando. Em alguns casos, fotos reais são copiadas de anúncios legítimos para atrair vítimas. Em outros, o imóvel existe, mas o anunciante não possui autorização para vendê-lo.
A recomendação é solicitar a matrícula atualizada do imóvel e conferir a identificação do proprietário antes da assinatura de qualquer documento.
Quando o mesmo imóvel é vendido para mais de uma pessoa
Também existem situações em que um imóvel é negociado simultaneamente com diferentes compradores. Sem a devida análise documental e registral, mais de uma pessoa acredita estar adquirindo o mesmo bem, o que gera disputas judiciais e prejuízos financeiros.
Segundo Gabriela Pereira, a conferência da cadeia documental e da situação registral do imóvel é uma etapa indispensável. "A matrícula atualizada, a identificação correta do proprietário, a análise da cadeia documental e a confirmação de quem está intermediando a operação são medidas simples, mas decisivas. Quando isso é ignorado, o risco deixa de ser abstrato e passa a ser financeiro", alerta.
Cuidado com pedidos de sinal antecipado
Pagamentos realizados antes da validação da documentação também figuram entre os principais motivos de golpes imobiliários. Ofertas muito abaixo do valor de mercado costumam vir acompanhadas de pressão para que a vítima transfira rapidamente um sinal ou reserva, muitas vezes via Pix.
Especialistas recomendam desconfiar de negociações excessivamente vantajosas e evitar transferências relevantes sem a análise prévia de documentos e contratos.
Atenção aos detalhes pode evitar prejuízos
Embora os golpes estejam cada vez mais sofisticados, algumas medidas continuam sendo fundamentais para reduzir riscos:
- Verificar o registro profissional do corretor ou imobiliária;
- Solicitar matrícula atualizada do imóvel;
- Confirmar a identidade do proprietário;
- Desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
- Evitar pagamentos antecipados sem respaldo jurídico;
- Buscar orientação especializada antes da assinatura de contratos.
Para a advogada, o maior erro ainda é tratar a documentação como mera formalidade.
"Fraude imobiliária não escolhe perfil. Ela escolhe vulnerabilidade. E isso aumenta quando a negociação é feita só pelo impulso, pelo preço baixo ou pela urgência", conclui Gabriela Pereira.
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