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Ciência e Tecnologia • 08:28h • 16 de maio de 2026

Radioterapia amplia sobrevida de pacientes com metástases cerebrais, aponta estudo internacional

Pesquisas recentes mostram avanço de técnicas de alta precisão no tratamento de tumores cerebrais secundários e reforçam debate sobre acesso desigual no Brasil

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Sensu Comunicação | Foto: Divulgação

Pacientes com metástases cerebrais vivem mais com novas estratégias terapêuticas
Pacientes com metástases cerebrais vivem mais com novas estratégias terapêuticas

Pacientes com metástases cerebrais tratados com radioterapia apresentaram taxas de sobrevida superiores a 79% após um ano, segundo estudo populacional publicado em 2025 na revista científica Frontiers in Oncology. A pesquisa analisou mais de 55 mil pacientes da base norte-americana SEER e reforça o papel da radioterapia como um dos principais pilares terapêuticos no controle da doença e no aumento da sobrevida em casos de câncer avançado com acometimento cerebral.

Os dados ganham destaque durante o Maio Cinza, campanha de conscientização sobre câncer no cérebro promovida pela Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT). O levantamento aponta que pacientes que não receberam radioterapia apresentaram índices significativamente piores: 43,6% morreram em até seis meses após o diagnóstico das metástases cerebrais.

As metástases cerebrais acontecem quando células tumorais originadas em outros órgãos se espalham pela corrente sanguínea e atingem o sistema nervoso central. A condição está entre as complicações mais frequentes e graves do câncer avançado.

Radioterapia de alta precisão transforma tratamento

Além de ampliar a sobrevida, estudos recentes mostram uma mudança importante na forma como as metástases cerebrais vêm sendo tratadas nos últimos anos.

Uma pesquisa publicada em 2023 na Japanese Journal of Clinical Oncology, com acompanhamento de 800 pacientes em um centro oncológico japonês, identificou crescimento progressivo do uso da radiocirurgia estereotáxica e da combinação entre radioterapia e terapias sistêmicas modernas. Segundo a rádio-oncologista Sonmi Lee, membro titular da Sociedade Brasileira de Radioterapia e especialista do Real Hospital Português, o avanço tecnológico permitiu tratamentos mais precisos e menos agressivos.

“Hoje, conseguimos tratar muitas metástases cerebrais de forma muito mais precisa, preservando estruturas importantes do cérebro e reduzindo efeitos colaterais historicamente associados ao tratamento. A radiocirurgia representa um dos maiores avanços nesse cenário porque permite entregar altas doses de radiação de maneira extremamente localizada”, explica.

A radiocirurgia estereotáxica utiliza feixes altamente direcionados de radiação para tratar pequenas lesões cerebrais em poucas sessões, preservando tecidos saudáveis ao redor das áreas afetadas.

Os dados japoneses mostram redução gradual do uso da radioterapia de cérebro total isolada, que caiu de 28,7% para 18,8% entre 2016 e 2021, enquanto aumentou o uso de abordagens focais associadas a terapias sistêmicas. Segundo especialistas, a mudança busca ampliar o controle da doença com menor impacto neurocognitivo para os pacientes.

Câncer de pulmão lidera casos de metástase cerebral

As metástases cerebrais podem surgir em diferentes tipos de câncer, embora alguns tumores apresentem maior associação com o sistema nervoso central. O estudo publicado em 2025 identificou que o câncer de pulmão representou 79,2% dos casos analisados, seguido por melanoma, câncer de mama e tumores renais.

As lesões podem provocar dores de cabeça persistentes, alterações cognitivas, convulsões, mudanças de comportamento, alterações visuais, dificuldades motoras e problemas na fala, dependendo da localização e do tamanho das metástases.

O levantamento também mostrou que pacientes mais jovens apresentaram maiores taxas de sobrevida, enquanto o risco de mortalidade aumentou progressivamente após os 65 anos.

Integração com terapias-alvo amplia possibilidades

Outra transformação observada nos estudos recentes é a integração crescente entre radioterapia e tratamentos sistêmicos modernos, como imunoterapia e terapias-alvo. Medicamentos mais recentes passaram a demonstrar maior capacidade de atravessar a barreira hematoencefálica, conseguindo atuar diretamente nas metástases cerebrais.

Entre os exemplos citados pelos pesquisadores estão terapias direcionadas ao HER2 no câncer de mama metastático e inibidores de tirosina quinase utilizados em câncer de pulmão com mutações específicas.

Brasil ainda enfrenta desigualdade no acesso

Apesar dos avanços terapêuticos, especialistas alertam que o acesso à radioterapia de alta precisão ainda permanece desigual no Brasil. Segundo a Sociedade Brasileira de Radioterapia, a radiocirurgia estereotáxica segue concentrada em centros especializados e grandes cidades, dificultando o acesso de pacientes em regiões mais afastadas.

Além das metástases cerebrais, a radioterapia também desempenha papel fundamental no tratamento de tumores primários do sistema nervoso central, como os gliomas.

Para especialistas, os avanços recentes reforçam a necessidade de ampliar a infraestrutura de radioterapia no país e garantir acesso mais equitativo às tecnologias modernas de tratamento oncológico.

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