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Economia • 08:50h • 09 de fevereiro de 2026

Reajuste do Minha Casa, Minha Vida deve destravar crédito e ampliar acesso ao financiamento em 2026

Atualização das faixas de renda busca corrigir distorções recentes, recompor público do programa e impulsionar contratações no mercado de habitação popular

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Nova Ideia | Foto: Arquivo/Âncora1

Novas faixas do Minha Casa, Minha Vida podem recolocar milhares de famílias no financiamento
Novas faixas do Minha Casa, Minha Vida podem recolocar milhares de famílias no financiamento

O governo federal trabalha na atualização das faixas de renda do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV), medida que busca corrigir distorções provocadas por reajustes recentes no salário-mínimo e pelo aumento do teto dos valores dos imóveis enquadrados no programa. A expectativa é que a revisão amplie o acesso ao financiamento habitacional e destrave contratações que ficaram represadas nos últimos meses.

Entre as mudanças em discussão está a elevação do limite da Faixa 1, atualmente em R$ 2.850, para um valor próximo de R$ 3.200. A Faixa 2 também deve ser reajustada, passando de R$ 4.700 para cerca de R$ 5.000. A tendência é que todas as faixas de renda sejam revistas, com anúncio oficial previsto para os próximos meses.

Principal política habitacional do país, o Minha Casa, Minha Vida organiza o acesso ao crédito imobiliário por faixas de renda, que determinam subsídios, taxas de juros e condições de financiamento. Como o programa responde por uma parcela significativa das contratações imobiliárias no Brasil, ajustes em suas regras costumam ter impacto direto no mercado e na cadeia da construção civil.

Para o especialista em financiamento imobiliário Murilo Arjona, a atualização das faixas tornou-se necessária após alterações recentes no próprio programa. “Da mesma forma que houve aumento no teto dos valores dos imóveis da Faixa 2, especialmente no fim do ano passado, o reajuste do teto de renda passa a ser inevitável. Caso contrário, você amplia o valor do imóvel, mas restringe quem pode financiar”, explica.

Segundo Arjona, o reajuste do salário-mínimo também contribuiu para a defasagem. “Muitas famílias ultrapassaram o limite de renda apenas por conta do aumento salarial, sem ganho real de poder de compra. Isso cria um descompasso entre renda, preço do imóvel e acesso ao crédito”, afirma.

Atualmente, o Minha Casa, Minha Vida atende famílias com renda bruta mensal de até R$ 12 mil, distribuídas em quatro faixas. As Faixas 1 e 2 concentram o maior volume de contratações, justamente por oferecerem subsídios mais relevantes e juros reduzidos. A expectativa do setor é que o reajuste permita o reenquadramento de milhares de famílias nessas categorias.

O impacto prático da medida tende a ser imediato. “Quando o teto do imóvel sobe e a renda não acompanha, o mercado trava. Ajustar as faixas destrava operações, viabiliza novos lançamentos e devolve previsibilidade tanto para quem compra quanto para quem constrói”, avalia o especialista.

Outro ponto observado é o amadurecimento da Faixa 4, voltada à renda média. Embora ainda em fase de consolidação, ela deve ganhar relevância nos próximos ciclos, desde que as faixas estejam bem calibradas e evitem exclusões involuntárias de famílias que ainda dependem de condições facilitadas de crédito.

Do ponto de vista da política habitacional, a atualização das regras busca recompor o público-alvo original do programa, ampliar o acesso ao financiamento e estimular a construção civil. “Não se trata apenas de aumentar renda ou valor do imóvel, mas de manter o programa funcional e conectado à realidade do mercado. Quando isso não acontece, o crédito existe, mas a contratação não flui”, conclui Murilo Arjona.

Com a revisão das faixas, a expectativa é de retomada gradual das contratações ao longo de 2026, maior previsibilidade para lançamentos imobiliários e ampliação do acesso à casa própria para famílias de baixa e média renda.

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