Variedades • 15:10h • 15 de maio de 2026
Reconhecimento, pertencimento e o que sustenta instituições que permanecem
Entre pesquisa, liderança e cultura institucional, experiências acadêmicas revelam por que algumas organizações conseguem gerar vínculos duradouros enquanto outras apenas mantêm estruturas funcionando
Coluna | Ana Clara Vasques Gimenez | Foto: Acervo pessoal
Há palavras que carregam significados diferentes dependendo da fase da vida em que estamos. Algumas parecem conceitos abstratos até serem vividas. Reconhecimento é uma delas.
No Direito, passamos boa parte da nossa trajetória buscando reconhecimento em suas mais variadas formas. Reconhecer direitos, garantir proteção a vulnerabilidades, promover justiça, validar experiências humanas. Mas existe também outro reconhecimento, mais silencioso: aquele relacionado ao próprio trabalho, ao esforço intelectual, à dedicação que muitas vezes acontece nos bastidores.
Nos últimos dias, ao participar de mais uma atividade acadêmica junto a estudantes universitários em um fórum voltado aos direitos humanos, pude experimentar justamente essa sensação. O convite partiu dos próprios alunos e há algo especialmente simbólico nisso.
Porque ser lembrada pelos estudantes não representa apenas uma formalidade institucional. Representa pertencimento. Representa perceber que aquilo que se constrói na pesquisa, na sala de aula e no diálogo produz efeitos reais.
Na ocasião, compartilhei com os alunos algo em que acredito profundamente: a pesquisa acadêmica pode ser uma forma sofisticada de transformar indignação em ação. Mas, talvez, uma das experiências mais interessantes desses dias tenha acontecido fora dos espaços formais das palestras.
Chamou atenção observar, ao longo do evento, algo que organizações costumam afirmar em discursos institucionais, mas raramente conseguem traduzir em prática: a presença genuína da liderança
Não se tratava apenas de ocupar posições. Havia uma postura de proximidade, interesse e escuta, demonstrando interesse real em compreender dificuldades, identificar oportunidades de melhoria e incentivar o crescimento coletivo.
Pode parecer algo simples. Mas não é.
Presença genuína, escuta e valorização humana ajudam a explicar como instituições fortalecem cultura, criam sentido coletivo e permanecem relevantes ao longo do tempo | Ana Clara Vasques Gimenez
Existe uma diferença significativa entre organizações que apenas administram estruturas e aquelas que constroem culturas institucionais sólidas. As primeiras operam processos. As segundas cultivam pertencimento.
As instituições que permanecem por décadas e permanecem relevantes raramente são sustentadas apenas por indicadores financeiros, estruturas físicas ou resultados imediatos.
Elas são sustentadas por cultura. E cultura institucional é construída na presença, na escuta, no incentivo e na capacidade de fazer as pessoas sentirem que participam de algo maior.
Governança, em seu sentido mais sofisticado, talvez tenha menos relação com controle e mais relação com responsabilidade compartilhada. Menos com hierarquia e mais com compromisso coletivo.
Porque pessoas permanecem onde se sentem vistas. E profissionais permanecem onde conseguem enxergar sentido no que fazem.
Talvez seja justamente por isso que algumas organizações se sustentam ao longo do tempo enquanto outras apenas sobrevivem.
No final, reconhecimento não seria apenas sobre aplausos ou visibilidade, Talvez reconhecimento seja, antes de tudo, sobre conseguir olhar para um espaço — e perceber que, de alguma forma, você também se reconhece nele.
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