• EUA liberam novos documentos sobre OVNIs com registros militares que remontam à década de 1940
  • Assis, São Paulo e Brasil estão preparados para enfrentar um El Niño sem precedentes?
  • Mais de 2 milhões de idosos continuam no mercado de trabalho em São Paulo, aponta pesquisa
Novidades e destaques Novidades e destaques

Responsabilidade Social • 11:50h • 19 de maio de 2025

Rede de proteção é essencial para prevenir abusos contra crianças com deficiência

Atlas da violência alerta que dados provavelmente são subnotificados

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo pessoal

Mas, ao contrário do que muitas pessoas - inclusive abusadores - pensam, as crianças e adolescentes com deficiência podem sim compreender a violência sexual, e demonstrar quando são vítimas.
Mas, ao contrário do que muitas pessoas - inclusive abusadores - pensam, as crianças e adolescentes com deficiência podem sim compreender a violência sexual, e demonstrar quando são vítimas.

Em 2023, quase 2,4 mil crianças e adolescentes com deficiência foram vítimas de violência sexual no Brasil. A maioria dos casos — cerca de 1,9 mil — teve como alvo meninas de até 19 anos, segundo dados do Atlas da Violência.

Apesar da gravidade, esses números provavelmente estão subnotificados. A violência sexual, especialmente contra crianças e adolescentes, muitas vezes não é denunciada. E dentro desse grupo, aqueles com deficiência estão ainda mais vulneráveis.

A psicóloga Marina Poniwas, ex-presidenta do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, explica que a exposição dessas crianças à violência está relacionada a fatores como dependência forçada, isolamento, invisibilidade e silenciamento, presentes tanto em casa quanto em instituições.

“Elas historicamente não foram reconhecidas como cidadãos plenos, nem como pessoas com direitos sexuais e reprodutivos. Muitas vezes são vistas como assexuadas, infantis ou incapazes de relatar abusos, o que favorece a impunidade e torna a violência invisível”, afirma Marina.

No entanto, ao contrário do que muitos imaginam — inclusive abusadores —, crianças e adolescentes com deficiência são capazes de entender o que é violência sexual e de demonstrar quando são vítimas. Para que isso aconteça, é fundamental que o cuidado seja uma responsabilidade compartilhada entre o Estado e a sociedade, com serviços públicos acessíveis, integrados e comprometidos com a equidade.

Marina defende a formação de famílias, cuidadores e profissionais da rede de proteção, para que saibam identificar sinais não verbais de sofrimento, respeitar diferentes formas de comunicação e oferecer espaços seguros onde essas crianças possam aprender o que é violência, entender que não são culpadas e saber que há ajuda disponível.

Educação para o autocuidado

Foi justamente essa necessidade que motivou a jornalista Patrícia Almeida a buscar formas de proteger sua filha Amanda, que tem síndrome de Down. A família viveu por anos na Suíça, onde a educação inclusiva não era uma realidade. Quando retornaram ao Brasil, Patrícia percebeu que Amanda precisava de educação sexual adaptada para lidar com os desafios da nova escola.

A partir disso, Patrícia se tornou coautora do projeto Eu Me Protejo, criado em 2020. A iniciativa desenvolve materiais educativos com mensagens acessíveis para crianças e orientações detalhadas para famílias e profissionais da educação, saúde e assistência social.

“A gente usa a técnica da linguagem simples, um recurso de acessibilidade para pessoas com deficiência intelectual. São frases curtas, diretas e com ilustrações autoexplicativas, que facilitam a compreensão para todos”, explica Patrícia.

A cartilha básica do projeto ensina, por exemplo, quais são as partes íntimas do corpo, que elas só podem ser tocadas por pessoas de confiança em contextos de cuidado, e alerta sobre perigos como presentes em troca de carinhos ou convites para locais isolados. As crianças também são encorajadas a pedir ajuda sempre que algo estranho acontecer — mesmo que o agressor seja alguém da família.

Desde sua criação, o Eu Me Protejo cresceu, e hoje oferece uma série de materiais multimídia com acessibilidade, além de realizar formações para profissionais das redes de proteção em parceria com governos e prefeituras.

Patrícia reforça que a inclusão escolar é uma forma importante de proteção contra abusos. “Muitos pais preferem escolas especiais achando que seus filhos estarão mais seguros, mas o contrário pode acontecer. Nessas instituições, abusos podem ocorrer e ficar em segredo. Já nas escolas regulares, a convivência entre diferentes favorece o respeito às diferenças e o aprendizado sobre o próprio corpo e o do outro.”

A importância da denúncia

A educação sexual também ajuda a reconhecer e denunciar abusos, o que pode ser mais difícil em casos envolvendo crianças com deficiência. Segundo Cristiane Santana, presidenta do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente do Rio de Janeiro, muitas vezes essas crianças têm dificuldade para relatar o que aconteceu, ou não são levadas a sério quando tentam se expressar.

Além disso, sinais de abuso podem ser confundidos com características da deficiência, o que dificulta o reconhecimento por parte de familiares e profissionais.

Cristiane alerta que qualquer suspeita de violência deve ser tratada com seriedade e agilidade. “Qualquer pessoa pode — e deve — denunciar ao Conselho Tutelar, à polícia ou ao Disque 100, que recebe relatos de violações de direitos humanos. Profissionais da saúde e da educação também têm um papel fundamental na identificação e notificação desses casos”, afirma.

Após a denúncia, o Conselho Tutelar pode acionar serviços de assistência social, saúde e segurança pública para investigar a situação e oferecer acolhimento à vítima.

A psicóloga Marina Poniwas reforça que denunciar é uma forma de interromper ciclos de sofrimento que provocam impactos duradouros. “A violência sexual afeta o desenvolvimento emocional, a autonomia, os vínculos sociais e até a identidade da criança. Além disso, perpetua processos históricos de desumanização e invalidação da palavra dessas pessoas.”

O Disque 100 funciona 24 horas por dia, inclusive aos finais de semana e feriados, e pode ser acionado gratuitamente de qualquer telefone fixo ou celular.



Últimas Notícias

Descrição da imagem

Ciência e Tecnologia • 19:28h • 23 de outubro de 2026

EUA liberam novos documentos sobre OVNIs com registros militares que remontam à década de 1940

Nova leva disponibilizada nesta sexta-feira (23) reúne 28 arquivos sobre objetos voadores não identificados, incluindo relatórios de inteligência, investigações e documentos de diferentes períodos

Descrição da imagem

Cultura e Entretenimento • 17:32h • 23 de outubro de 2026

De Charles Dickens aos palcos de São Paulo, A Christmas Carol ganha nova montagem musical em 2026

Clássico de Charles Dickens ganha nova montagem musical no Teatro Liberdade, em novembro, antes de seguir para temporada especial no Hopi Hari

Descrição da imagem

Variedades • 17:10h • 23 de outubro de 2026

Assis, São Paulo e Brasil estão preparados para enfrentar um El Niño sem precedentes?

Previsões acompanhadas ao longo de 2026 levantam uma preocupação sobre a capacidade de Assis, do estado de São Paulo e do Brasil de enfrentar eventos climáticos que podem superar os registros históricos

Descrição da imagem

Educação • 16:11h • 23 de outubro de 2026

Senai abre mais de 3,3 mil vagas em cursos profissionalizantes; inscrições começaram na tarde desta sexta

São 3.357 oportunidades gratuitas em cursos técnicos e de aprendizagem industrial, com início em 2027; inscrições já estão abertas e seguem até 9 de novembro

Descrição da imagem

Mundo • 15:37h • 23 de outubro de 2026

Mais de 2 milhões de idosos continuam no mercado de trabalho em São Paulo, aponta pesquisa

Levantamento da Fundação Seade mostra crescimento de 26% na ocupação de pessoas com 60 anos ou mais desde 2019; trabalho por conta própria é o mais comum

Descrição da imagem

Responsabilidade Social • 14:16h • 23 de outubro de 2026

Síndrome de Tourette e diabetes tipo 1 não garantem automaticamente acesso à Lei de Cotas

Ministério do Trabalho esclarece que o enquadramento na Lei de Cotas depende de avaliação individual e não apenas do diagnóstico médico

Descrição da imagem

Classificados • 13:33h • 23 de outubro de 2026

Região de Marília tem 314 vagas de emprego abertas nesta sexta-feira; veja oportunidades por cidade

Levantamento dos postos de atendimento ao trabalhador reúne oportunidades em Cândido Mota, Marília, Ourinhos e Tupã, com destaque para logística, indústria e comércio

Descrição da imagem

Economia • 13:05h • 23 de outubro de 2026

Produtores rurais de Assis e região podem buscar oportunidades de fornecimento para a merenda escolar

Programa federal destina pelo menos 45% dos recursos para compras da agricultura familiar e estabelece regras que favorecem a participação das mulheres

As mais lidas do mês

Política

Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar

Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos