Cultura e Entretenimento • 16:11h • 13 de abril de 2026
Redes sociais já são principal fonte de informação no Brasil e superam TV e rádio, aponta pesquisa
Estudo do Cetic.br revela que redes sociais e aplicativos de mensagens concentram consumo diário de notícias, mas também expõem desafios como desinformação e baixa checagem
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Divulgação
As plataformas da internet se consolidaram como o principal meio de acesso à informação entre brasileiros com 16 anos ou mais, superando rádio e televisão. É o que mostra a pesquisa inédita “Painel TIC - Integridade da Informação”, divulgada nesta sexta-feira (10) pelo Cetic.br, ligado ao NIC.br e ao CGI.br, com base em entrevistas com 5.250 usuários em todo o país.
Segundo o levantamento, 72% dos brasileiros acessam informações diariamente por redes sociais, com destaque para vídeos curtos (53%), plataformas de vídeo (50%) e feeds de notícias (46%). Aplicativos de mensagens também têm papel relevante, sendo usados diariamente por 60% dos entrevistados. Já os meios tradicionais aparecem atrás: rádio e TV somam 58%, enquanto jornais e revistas, impressos ou digitais, ficam em 34%.
O estudo aponta diferenças importantes no acesso à informação conforme perfil socioeconômico. Usuários das classes AB, com maior escolaridade e acesso à internet por múltiplos dispositivos, apresentam maior frequência de consumo em praticamente todos os formatos. Em portais de notícias, por exemplo, 58% desse grupo acessam conteúdo diariamente, contra 33% da classe C e 27% das classes DE.
Apesar da força das plataformas digitais, 65% dos entrevistados afirmam consumir diariamente conteúdos produzidos por veículos jornalísticos. Entre os jovens de 16 a 24 anos, esse índice cai para 46%, indicando uma mudança de comportamento no consumo de notícias.
O avanço do acesso digital convive com um cenário de desconfiança. Cerca de metade dos participantes afirma desconfiar com frequência de conteúdos publicados por veículos tradicionais (48%), plataformas de vídeo (47%) e influenciadores (43%). A desconfiança é maior entre pessoas com menor escolaridade e também varia conforme faixa etária.
Além disso, o levantamento identifica um comportamento de desengajamento em relação à verificação de informações. Um total de 34% dos entrevistados concorda, total ou parcialmente, que não vale a pena checar se uma informação é verdadeira ou falsa, enquanto 30% demonstram desinteresse pelo tema. Esse perfil é mais comum entre jovens, especialmente homens, das classes C e DE.
A pesquisa também revela dificuldades na compreensão de como funcionam os algoritmos e a circulação de conteúdos na internet. Metade dos entrevistados acredita que conteúdos mais compartilhados são necessariamente mais confiáveis, e 45% afirmam que diferentes pessoas encontram as mesmas informações ao pesquisar online, o que não reflete o funcionamento real das plataformas.
Por outro lado, há maior entendimento sobre os modelos de monetização digital. Cerca de 64% reconhecem que influenciadores podem adotar posturas polêmicas para ganhar visibilidade, e 61% entendem que redes sociais são gratuitas porque operam com publicidade.
O impacto das tecnologias emergentes também aparece no estudo. Cerca de 41% dos usuários relatam ter contato diário com deepfakes, com maior incidência entre jovens. Já o uso de inteligência artificial generativa alcança 47% dos entrevistados, com destaque para ferramentas integradas a aplicativos de mensagens.
Os resultados indicam que fatores como escolaridade, renda e qualidade de conexão influenciam diretamente a capacidade de identificar informações falsas ou enganosas. Usuários mais escolarizados, com acesso à internet por diferentes dispositivos, apresentam melhor desempenho nesse tipo de avaliação.
O estudo reforça que, embora o ambiente digital amplie o acesso à informação, ele também exige maior preparo da população para lidar com conteúdos, verificar fontes e compreender o funcionamento das plataformas.
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