Saúde • 11:31h • 05 de janeiro de 2026
Refrigerantes zero açúcar parecem saudáveis, mas exigem atenção
Ausência de açúcar não elimina riscos, bebidas usam compostos artificiais e podem ter alto teor de sódio para manter sabor
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Agência FR | Foto: Divulgação
O consumo de refrigerantes zero açúcar cresceu de forma expressiva no Brasil nos últimos anos, impulsionado pela busca por redução do açúcar na dieta e pelo apelo de um estilo de vida considerado mais saudável. Em 2024, quase 516 milhões de litros da principal marca do segmento foram consumidos no país, alta de 28,9% em relação ao ano anterior. Apesar da popularidade, especialistas alertam que a ausência de açúcar não garante que essas bebidas sejam nutricionalmente saudáveis.
A ampliação da oferta atende tanto pessoas com diabetes quanto consumidores que buscam emagrecimento ou controle do peso. No entanto, segundo a professora Bruna Nabuco Siqueira, do curso de Nutrição da Universidade Tiradentes, o crescimento do mercado está ligado também ao avanço tecnológico dos adoçantes e à redução do sabor residual das versões sem açúcar.
De acordo com a especialista, a composição desses refrigerantes vai muito além da retirada do açúcar. Água gaseificada, corantes, aromatizantes, ácidos e adoçantes de alta intensidade como stevia, sucralose e eritritol fazem parte da fórmula. O resultado é um produto com baixo ou nenhum valor calórico e sem impacto direto na glicemia, mas que carrega outros componentes que exigem atenção do consumidor.
A professora explica que o principal equívoco está em associar automaticamente o rótulo zero açúcar a uma opção mais saudável. Algumas versões dessas bebidas podem apresentar níveis elevados de sódio, em certos casos superiores aos dos refrigerantes tradicionais. O consumo excessivo também pode interferir na absorção de nutrientes, como o cálcio, em função da presença de determinados ácidos na composição.
Outro ponto debatido é o uso dos refrigerantes zero açúcar como estratégia para emagrecimento. Segundo Bruna, o efeito isolado dessas bebidas na perda de peso é limitado. Elas podem ajudar em contextos específicos, como substituição pontual do refrigerante comum, mas não promovem emagrecimento de forma consistente quando não estão inseridas em um conjunto de hábitos saudáveis.
A recomendação nutricional segue priorizando alimentos in natura ou minimamente processados. Mesmo sem açúcar, os refrigerantes zero continuam sendo classificados como ultraprocessados e não contribuem para uma alimentação equilibrada quando consumidos com frequência. A orientação é reduzir gradualmente o consumo diário e reservar esse tipo de bebida para ocasiões específicas.
Para quem deseja diminuir a dependência dos refrigerantes, a transição pode ser feita sem radicalismo. Opções como água com gás e limão, chás naturais, kombucha e sucos preparados sem adição de açúcar são alternativas mais alinhadas a um padrão alimentar saudável. Segundo a especialista, quanto menor o consumo de adoçantes artificiais, mais fácil se torna apreciar bebidas naturais.
O crescimento do mercado de refrigerantes zero açúcar reflete uma mudança de comportamento do consumidor, mas também reforça a necessidade de informação clara. Reduzir açúcar é um passo importante, porém não substitui escolhas alimentares equilibradas nem elimina a importância de avaliar a composição completa dos produtos consumidos no dia a dia.
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