Responsabilidade Social • 13:01h • 28 de maio de 2026
Relatório da ONU aponta América Latina mais quente e afetada por eventos extremos
Documento apresentado pela primeira vez no Brasil aponta avanço dos eventos extremos na região e destaca atuação do Cemaden no monitoramento de riscos climáticos
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações do Ministério da Ciência | Foto: Arquivo Âncora1
A América Latina e o Caribe enfrentam uma intensificação dos eventos climáticos extremos, com ondas de calor recordes, enchentes, secas prolongadas e perda acelerada de geleiras andinas. O alerta faz parte do relatório Estado do Clima na América Latina e Caribe 2025, divulgado pela Organização Meteorológica Mundial (OMM) e apresentado em Brasília pelo climatologista José Marengo, coordenador-geral de Pesquisa e Desenvolvimento do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden).
Pela primeira vez, o lançamento regional do relatório aconteceu no Brasil. Esta é a sexta edição do estudo, coordenada por Marengo em parceria com serviços meteorológicos de diversos países da região.
Segundo o documento, 2025 ficou entre os anos mais quentes já registrados na América Latina e no Caribe, com temperaturas até 3°C acima da média histórica em várias áreas. O relatório também aponta que o ritmo de aquecimento entre 1991 e 2025 foi o mais intenso desde o início das medições, em 1900.
De acordo com Marengo, os dados mostram uma realidade climática que já provoca impactos diretos na economia, nos ecossistemas e na vida da população.
Entre os eventos extremos citados no relatório, o México registrou em junho de 2025 o mês mais chuvoso de sua história, ao mesmo tempo em que a seca atingiu até 85% do território do país. Já enchentes no Peru e no Equador afetaram mais de 110 mil pessoas.
O estudo também alerta para o derretimento acelerado das geleiras andinas, que ameaça o abastecimento de água de cerca de 90 milhões de pessoas, além de afetar a geração de energia e a agricultura em períodos de seca.
Outro ponto destacado é a elevação do nível do mar, que avança mais rapidamente do que a média global em áreas do Caribe e da costa norte da América do Sul, aumentando riscos para cidades costeiras, infraestrutura e turismo.
Entre os desastres citados está ainda o furacão Melissa, primeiro fenômeno de Categoria 5 a atingir a Jamaica desde o início dos registros históricos. O furacão deixou 45 mortos e causou prejuízos estimados em US$ 8,8 bilhões, valor equivalente a mais de 40% do Produto Interno Bruto (PIB) do país.
Monitoramento climático
O relatório também destaca o trabalho do Cemaden como referência regional no monitoramento de desastres e secas. Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, o centro opera 24 horas por dia e mantém mais de 3 mil equipamentos para monitoramento de chuvas, além de acompanhar os impactos da seca nos 5.571 municípios brasileiros.
Segundo a diretora do Cemaden, Regina Alvalá, as informações produzidas pelo órgão ajudam estados e municípios a antecipar riscos e planejar ações de prevenção. Além das chuvas e secas, o centro também monitora incêndios florestais, impactos sobre a agricultura e vulnerabilidades sociais em áreas de risco.
Durante o evento de apresentação do relatório, o ministro da Agricultura e Pecuária em exercício, Cleber Soares, ressaltou a importância do monitoramento climático para o planejamento agrícola. Ele lembrou que o Brasil mantém políticas voltadas à agricultura de baixa emissão de carbono desde 2010, com o Plano ABC.
Segundo o ministro, a meta do ciclo 2021–2030 é incorporar mais 50 milhões de hectares em sistemas produtivos sustentáveis e mitigar 1,1 gigatonelada de dióxido de carbono equivalente.
A secretária-executiva do Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima, Anna Flávia Sena, afirmou que relatórios científicos são fundamentais para orientar políticas públicas e ampliar a conscientização sobre os impactos das mudanças climáticas.
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