Responsabilidade Social • 11:05h • 21 de abril de 2026
Renaturalização de rios ganha força como solução para enchentes nas cidades
Especialistas defendem reabertura de cursos d’água e ampliação de áreas verdes para reduzir impactos das mudanças climáticas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
As chuvas intensas e enchentes têm se tornado cada vez mais frequentes nas cidades brasileiras, impulsionando a busca por soluções que tornem os centros urbanos mais resilientes. Nesse cenário, a renaturalização de rios — com a recuperação e reabertura de cursos d’água — surge como uma das principais estratégias defendidas por especialistas.
A paisagista urbana Cecília Herzog destaca que a requalificação dos rios é urgente diante das mudanças climáticas. Segundo ela, o modelo urbano baseado na canalização de rios e na impermeabilização do solo com asfalto e concreto contribui para agravar os impactos das chuvas.
Com menos áreas permeáveis, a água da chuva escoa mais rapidamente, aumentando o risco de alagamentos. Por isso, a recuperação dos rios precisa vir acompanhada de uma transformação mais ampla da paisagem urbana, com a ampliação de áreas verdes e a adoção de sistemas naturais de drenagem. Solos permeáveis ajudam a reter a água por mais tempo, reduzindo a velocidade do escoamento e os riscos de inundação.
Esse movimento já começa a ganhar espaço no país. Em São Paulo, o projeto do futuro Parque Municipal do Bixiga prevê a reabertura de trechos do córrego local, além da preservação de nascentes e expansão de áreas verdes. A iniciativa é resultado de décadas de mobilização da sociedade civil e atualmente passa por etapa de definição de projeto por meio de concurso público.
No Rio de Janeiro, estudos coordenados pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Clima avaliam a requalificação do Rio Maracanã com base em soluções naturais. A proposta envolve a recuperação de características originais do rio e o aumento da capacidade de drenagem da região, com participação de pesquisadores e instituições especializadas.
Além da reabertura de rios, outras soluções fazem parte desse novo modelo urbano, como telhados verdes, jardins de chuva, valetas vegetadas, bacias de retenção e maior arborização. Essas medidas ajudam não apenas a reduzir enchentes, mas também a amenizar ondas de calor, cada vez mais intensas nas cidades.
Especialistas ressaltam que ações isoladas não são suficientes diante da intensificação dos eventos extremos. A adaptação climática exige planejamento integrado e soluções ajustadas à realidade de cada território. A proposta é reconstruir paisagens urbanas com mais áreas verdes e solos vivos, capazes de desempenhar funções naturais hoje comprometidas.
A combinação de diferentes estratégias, desde intervenções de pequena escala até obras maiores, pode contribuir para cidades mais preparadas para enfrentar os desafios climáticos, com mais equilíbrio entre urbanização e natureza.
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