Economia • 10:02h • 12 de maio de 2026
Rendimento dos mais ricos é 13,8 vezes maior que o dos mais pobres
Mais vulneráveis tiveram renda mensal de R$ 663 em 2025, mostra IBGE
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações da CUT | Foto: Arquivo Âncora1
Em 2025, os 10% mais ricos da população brasileira tiveram rendimento médio mensal de R$ 9.117 por pessoa, valor 13,8 vezes maior do que o recebido pelos 40% mais pobres, cuja renda média foi de R$ 663 mensais.
No ano anterior, essa diferença era de 13,2 vezes. Apesar do aumento em 2025, o índice ainda representa o segundo menor nível da série histórica iniciada em 2012.
Os dados fazem parte da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), divulgada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Para elaborar o levantamento, o IBGE considerou todas as formas de rendimento das famílias, incluindo salários, bônus, aposentadorias, pensões alimentícias, benefícios sociais, bolsas de estudo, seguro-desemprego, aluguel e aplicações financeiras. O valor total foi dividido pelo número de moradores de cada residência.
A série histórica mostra oscilações na diferença entre os mais ricos e os mais pobres nos últimos anos. Em 2019, a distância era de 16,9 vezes. Em 2020 caiu para 14,8 vezes, voltou a subir para 17 vezes em 2021 e recuou para 14,3 vezes em 2022 e 2023. Em 2024, atingiu 13,2 vezes, antes de subir novamente para 13,8 vezes em 2025.
Segundo a pesquisa, o aumento da desigualdade de 2024 para 2025 ocorreu porque o rendimento dos 10% mais ricos cresceu 8,7%, já descontada a inflação, enquanto a renda dos 40% mais pobres avançou 4,7%.
Ainda assim, em uma análise mais ampla desde 2019, o grupo dos 40% mais pobres acumulou crescimento de 37,6% nos rendimentos. Entre os 10% mais ricos, o aumento foi de 11,9%, percentual considerado pelo IBGE bastante inferior ao registrado pelas demais classes de renda.
Quando analisado apenas o grupo dos 10% mais pobres, o crescimento da renda entre 2019 e 2025 foi de 78,7%. Nesse período, o rendimento médio mensal dessa parcela da população passou de R$ 150 para R$ 268.
O analista do IBGE Gustavo Geaquinto Fontes aponta que a melhora do mercado de trabalho e a ampliação dos programas sociais foram fatores importantes para a redução da desigualdade nos últimos anos.
Segundo ele, as classes de menor renda tiveram ganhos importantes nesse período, impulsionados pelo reajuste do salário mínimo e pela expansão dos programas sociais do governo.
Desigualdade regional e Índice de Gini
A partir de 2020, durante a pandemia de Covid-19, o governo federal ampliou tanto o alcance quanto os valores pagos pelo principal programa de transferência de renda do país, que recebeu nomes como Auxílio Emergencial e Auxílio Brasil, além do retorno do Bolsa Família. O IBGE também considerou programas sociais estaduais e municipais.
Apesar da melhora observada nos últimos anos, o instituto ressalta que a desigualdade de renda no Brasil ainda permanece em níveis elevados.
A pesquisa também evidencia diferenças regionais importantes. Enquanto a renda média mensal dos 40% mais pobres no país foi de R$ 663 por pessoa, na Região Sul o valor chegou a R$ 978. No Centro-Oeste, foi de R$ 846, e no Sudeste, R$ 842. Já no Nordeste e no Norte, os valores ficaram abaixo da média nacional, com R$ 449 e R$ 490, respectivamente.
Entre as unidades da Federação, o Distrito Federal apresentou a maior desigualdade entre os 10% mais ricos e os 40% mais pobres, com diferença de 19,7 vezes. Em seguida aparecem Rio de Janeiro, com 16,4 vezes, e Rio Grande do Norte, com 16,3 vezes.
São Paulo registrou diferença de 11,9 vezes, ocupando a 12ª posição entre os estados com menor desigualdade. Já Mato Grosso e Santa Catarina apresentaram os menores índices de disparidade, com relações de 9,1 e 8,4 vezes, respectivamente.
Outro indicador utilizado pelo IBGE para medir desigualdade é o Índice de Gini, que varia de zero a um. Quanto mais próximo de um, maior é a desigualdade social.
Em 2025, o índice brasileiro ficou em 0,511, ligeiramente acima do registrado em 2024, quando foi de 0,504. Mesmo assim, o resultado de 2025 representa o segundo menor da série histórica iniciada em 2012.
Para o analista Gustavo Fontes, a pequena alta não indica uma tendência de aumento da desigualdade, mas sim uma oscilação pontual em relação ao nível historicamente mais baixo alcançado recentemente.
A pesquisa também mostrou que o rendimento médio das famílias brasileiras cresceu 6,9% em 2025, atingindo o maior valor da série histórica.
Além disso, 22,7% das famílias brasileiras — cerca de 18 milhões de domicílios — receberam algum tipo de benefício social do governo federal, estadual ou municipal ao longo do ano.
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