Saúde • 08:44h • 13 de outubro de 2026
Resistência à insulina vira alvo de promessas nas redes sociais e Anvisa faz alerta
Vídeos nas redes sociais recomendam substâncias como berberina, magnésio e mio-inositol, mas produtos sem comprovação para essa finalidade podem atrasar o diagnóstico e comprometer os cuidados com a saúde
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Anvisa | Foto: Divulgação
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) alerta para a divulgação de suplementos alimentares apresentados nas redes sociais como alternativas para tratar ou controlar a resistência à insulina. Vídeos publicados na internet têm recomendado substâncias como berberina, magnésio e mio-inositol, embora esses produtos não devam ser utilizados como substitutos de tratamentos médicos. A orientação busca evitar que consumidores sejam induzidos por promessas sem respaldo científico e deixem de procurar acompanhamento profissional.
A resistência à insulina ocorre quando as células do organismo passam a responder de maneira menos eficiente à ação desse hormônio, responsável por ajudar a controlar os níveis de glicose no sangue. A condição pode estar associada a diferentes fatores e exige avaliação individualizada para identificar suas causas e definir os cuidados necessários.
O problema ganha relevância com a circulação de conteúdos digitais que apresentam vitaminas, minerais e fórmulas como soluções para condições metabólicas. Embora sejam comercializados livremente em diferentes plataformas, suplementos alimentares não são medicamentos e não podem ser anunciados como produtos capazes de prevenir, tratar ou curar doenças.
Segundo a Anvisa, a finalidade desses produtos é complementar a alimentação de pessoas saudáveis ou atender necessidades nutricionais específicas previstas na regulamentação. Isso significa que sua comercialização como suplemento não representa autorização para uso terapêutico, mesmo quando a publicidade associa determinados ingredientes a benefícios para a saúde.
Berberina, magnésio e mio-inositol exigem atenção
Entre as substâncias mencionadas em publicações nas redes sociais estão a berberina, o magnésio e o mio-inositol. A divulgação desses ingredientes como tratamentos para resistência à insulina pode criar uma percepção equivocada de segurança e eficácia, especialmente quando os conteúdos não apresentam evidências científicas adequadas ou incentivam a automedicação.
A Anvisa esclarece que substâncias de origem vegetal, animal, mineral ou sintética apresentadas com finalidade de prevenir, tratar ou aliviar doenças estão sujeitas às exigências aplicáveis aos medicamentos. Produtos com alegações terapêuticas precisam atender às regras sanitárias específicas e não podem ser comercializados como simples suplementos alimentares para contornar essas exigências.
Isso não significa que uma pessoa diagnosticada com resistência à insulina esteja impedida de utilizar suplementos. Em determinadas situações, um profissional de saúde pode recomendar a suplementação para corrigir deficiências nutricionais ou atender necessidades específicas do organismo. Nesses casos, porém, a indicação tem finalidade nutricional e não substitui o tratamento da condição metabólica.
A distinção é importante porque o consumo de suplementos sem orientação pode desviar a atenção de medidas necessárias para o acompanhamento da saúde. A escolha de produtos com base exclusivamente em vídeos, depoimentos ou promessas comerciais não substitui uma avaliação clínica.
Tratamento deve considerar as necessidades de cada paciente
O acompanhamento da resistência à insulina deve ser definido de acordo com as características individuais, as possíveis causas e a presença de outras condições de saúde. Mudanças no estilo de vida podem integrar a abordagem terapêutica, assim como o uso de medicamentos quando houver indicação profissional.
A orientação também envolve atenção às informações apresentadas nas embalagens, anúncios e publicações digitais. Promessas de resultados rápidos, controle da glicose por meio de cápsulas ou substituição de tratamentos convencionais por fórmulas comercializadas na internet devem ser avaliadas com cautela.
A recomendação é buscar orientação de um profissional de saúde antes de iniciar o uso de qualquer produto com finalidade terapêutica. A existência de um suplemento no mercado não comprova sua eficácia para tratar resistência à insulina, e decisões sobre o cuidado com a saúde devem considerar evidências científicas e acompanhamento adequado.
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