Educação • 15:05h • 20 de janeiro de 2026
Retorno à rotina escolar intensifica estresse emocional em crianças e adolescentes
Transição das férias para a rotina escolar tem intensificado sinais de estresse, insegurança e dificuldade de adaptação entre crianças e adolescentes
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da V3com Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
O retorno às aulas, tradicionalmente concentrado no mês de fevereiro, é apontado por especialistas como um dos períodos mais sensíveis do ano para a saúde emocional de crianças e adolescentes. A retomada da rotina após semanas de férias, aliada a mudanças de série, início da vida escolar ou chegada ao último ano do ensino médio, costuma intensificar quadros de ansiedade e estresse, especialmente nas primeiras semanas do ano letivo.
Estudos recentes do Fundo das Nações Unidas para a Infância e da Organização Mundial da Saúde indicam que os transtornos de ansiedade estão entre as principais queixas emocionais entre jovens. No Brasil, profissionais de saúde mental observam que a mudança abrupta de rotina, o retorno a ambientes mais estruturados e a pressão por desempenho acadêmico contribuem para o aumento desses sintomas, muitas vezes de forma silenciosa.
A orientadora educacional Eliane Chies Variani, do Colégio Marista Medianeira, afirma que o fenômeno tem se tornado mais evidente nos últimos anos. Segundo ela, cresce o número de estudantes que demonstram insegurança, medo do novo e dificuldade em lidar com frustrações e exigências acadêmicas logo no início do ano letivo. Em muitos casos, a ansiedade se manifesta por meio de sintomas físicos ou comportamentais, que acabam sendo interpretados como desinteresse ou indisciplina.
Entre as orientações apontadas por especialistas estão a reorganização gradual dos horários de sono antes do retorno às aulas, a redução do tempo de exposição a telas e o incentivo a conversas abertas sobre expectativas, inseguranças e medos relacionados à escola. A criação de espaços de escuta, tanto no ambiente familiar quanto no escolar, é considerada fundamental para um processo de adaptação mais saudável.
Eliane ressalta que a observação atenta aos sinais de alerta é essencial. Irritabilidade repentina, queixas físicas frequentes, resistência persistente em voltar à escola e mudanças bruscas de comportamento podem indicar dificuldades de adaptação e devem ser acompanhadas com cuidado. A duração e a intensidade desses sintomas também são fatores importantes na avaliação.
A parceria entre escola e família é apontada como um dos pilares para enfrentar esse momento. Quando há alinhamento e diálogo entre as duas frentes, crianças e adolescentes tendem a se sentir mais seguros e amparados para lidar com as exigências da rotina escolar. Nos casos em que os sinais de ansiedade persistem ou começam a afetar o rendimento escolar, as relações sociais ou o bem-estar emocional, a busca por acompanhamento profissional em saúde mental é considerada necessária.
O tema tem ganhado espaço no debate entre educadores, famílias e pesquisadores, especialmente no contexto pós-pandemia, quando os impactos emocionais da rotina escolar se tornaram mais evidentes. Embora não exista uma solução única, há consenso de que acolhimento, diálogo e previsibilidade são estratégias importantes para tornar o retorno às aulas menos angustiante e mais equilibrado.
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