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Saúde • 18:38h • 23 de novembro de 2025

Riscos genéticos e novas terapias: psiquiatria vive transição com avanço de tratamentos psicodélicos

Estudos recentes levantam preocupações sobre possíveis efeitos genotóxicos de fármacos tradicionais enquanto terapias assistidas por psicodélicos ganham relevância clínica e econômica

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

Estudos apontam possíveis danos genéticos ligados a antidepressivos e ampliam debate sobre terapias psicodélicas
Estudos apontam possíveis danos genéticos ligados a antidepressivos e ampliam debate sobre terapias psicodélicas

O debate sobre segurança no tratamento da depressão ganhou novos desdobramentos em 2025, após estudos indicarem possível associação entre antidepressivos e danos ao DNA. O tema ganha relevância em um cenário de avanço global de transtornos mentais e aumento do consumo desses medicamentos, especialmente no Brasil, onde o uso de psicofármacos cresceu 18,6% entre 2022 e 2024, sendo 74% deles antidepressivos.

A preocupação ocorre num momento em que mais de 1 bilhão de pessoas vivem com algum transtorno mental no mundo, segundo a Organização Mundial da Saúde. Nos Estados Unidos, dados do CDC mostram que 11% dos adultos relatam sintomas depressivos e cerca de 10% utilizam antidepressivos regularmente. No Brasil, o crescimento da prescrição acompanha a ampliação de diagnósticos e a intensificação da busca por tratamentos acessíveis.

Especialistas reforçam que compreender o impacto de medicamentos amplamente utilizados é essencial para orientar práticas de saúde, sobretudo diante do aumento dos diagnósticos neuroatípicos. O IBGE estima que 2,4 milhões de brasileiros tenham diagnóstico de autismo, enquanto o CDC registra prevalência de 1 a cada 31 crianças nos Estados Unidos.

Indícios de genotoxicidade levantam alerta sobre uso prolongado

Segundo o psiquiatra e pesquisador Lucas Cury, alguns estudos recentes apontam sinais de potencial genotoxicidade ligados ao uso contínuo de determinados antidepressivos, especialmente inibidores seletivos de recaptação de serotonina e noradrenalina. De acordo com o especialista, a exposição prolongada a essas substâncias pode sobrecarregar mecanismos naturais de reparo genético, sobretudo quando associada a fatores como estresse crônico e hábitos de vida inadequados.

Uma revisão publicada em 2024 indicou que quase 80% dos estudos analisados apresentaram algum sinal de dano ao DNA relacionado ao uso desses medicamentos. A literatura ainda é considerada inconclusiva, mas pesquisadores defendem a ampliação de estudos clínicos para determinar o alcance dos riscos.

Cury observa que o acúmulo de lesões genéticas pode estar relacionado ao desenvolvimento de doenças degenerativas ou à indução de apoptose celular, mas ressalta que o grau exato de risco segue em investigação. Para ele, compreender esses mecanismos pode influenciar futuras práticas de prescrição e estimular o desenvolvimento de terapias mais seguras, especialmente para tratamentos longos.

Terapias psicodélicas avançam como alternativa clínica promissora

Enquanto cresce o debate sobre a segurança dos antidepressivos, as terapias psicodélicas ganham espaço na pesquisa e na prática médica. Um estudo publicado em 2024 na revista The Lancet comparou psilocibina e escitalopram em pacientes com depressão moderada a grave, indicando eficácia semelhante entre as abordagens. Entretanto, participantes tratados com psilocibina relataram melhoras mais amplas em bem-estar, conexão interpessoal e senso de propósito.

Para Cury, a combinação entre psicodélicos e psicoterapia representa uma alternativa com potencial transformador por unir mecanismos neurobiológicos e psicossociais. O especialista afirma que essa modalidade tende a apresentar menor risco de iatrogenia e danos futuros ao DNA por não exigir uso contínuo de fármacos ao longo dos anos.

Análises econômicas internacionais estimam que terapias psicodélicas possam reduzir em até 50% os custos clínicos quando comparadas a modelos farmacológicos tradicionais. Em larga escala, isso pode significar economia de bilhões de dólares aos sistemas públicos de saúde ao longo de uma década.

O mercado global de terapias psicodélicas movimenta atualmente cerca de US$ 2,9 bilhões, com projeção de crescimento anual de 15% até 2034. Embora ainda muito menor do que a indústria farmacêutica tradicional, estimada em US$ 1,7 trilhão, o segmento tem atraído laboratórios, centros de pesquisa e investidores.

Momento de transição na psiquiatria

Pesquisadores destacam que antidepressivos continuam sendo fundamentais no arsenal terapêutico, mas defendem uma abordagem integrativa baseada em evidências. Para Cury, a discussão sobre genotoxicidade não significa demonizar medicamentos essenciais, e sim aprimorar o uso clínico e buscar alternativas mais seguras quando possível.

As descobertas recentes, somadas ao crescimento do interesse em terapias psicodélicas, sugerem um ponto de virada na psiquiatria. A expectativa de especialistas é que os próximos anos tragam mais precisão diagnóstica, tratamentos personalizados e novos modelos terapêuticos com maior segurança genética.

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