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Segurança Pública • 14:24h • 09 de setembro de 2026

Roubos de canetas emagrecedoras aumentam medo entre funcionários de farmácias

Relatos de assaltos recorrentes, especialmente durante a madrugada, revelam impactos na saúde mental e levam profissionais a buscar afastamento ou deixar o setor

Da Redação | Com informações da CFF | Foto: Divulgação

Até 12 assaltos em pouco mais de um ano: violência afeta saúde mental de trabalhadores de farmácias
Até 12 assaltos em pouco mais de um ano: violência afeta saúde mental de trabalhadores de farmácias

A sequência de roubos a farmácias, com criminosos em busca principalmente de canetas emagrecedoras, tem provocado medo, ansiedade e afastamento de trabalhadores em São Paulo. Profissionais relatam assaltos repetidos durante a madrugada, enquanto o Conselho Regional de Farmácia de São Paulo (CRF-SP) afirma receber queixas inclusive de farmacêuticos do interior que querem deixar os turnos noturnos.

O aumento do interesse dos criminosos por esses medicamentos acompanha a popularização e o alto valor dos produtos. Uma unidade de Mounjaro na menor dosagem, por exemplo, custa a partir de R$ 1,4 mil nas farmácias. Segundo trabalhadores ouvidos pela BBC News Brasil, em alguns assaltos os criminosos vão diretamente aos locais onde as canetas são armazenadas, sem demonstrar interesse pelo caixa.

A violência ganhou contornos ainda mais graves em fevereiro, quando a farmacêutica Karina Ribeiro, de 38 anos, morreu durante um assalto a uma Drogaria São Paulo, na Zona Norte da capital. Dois homens entraram no estabelecimento em busca de canetas emagrecedoras e um policial que estava entre os clientes reagiu. Karina foi atingida por um disparo e morreu no local.

Funcionários relatam até 12 assaltos em pouco mais de um ano

Humberto Maciel, de 26 anos, trabalhava com Karina naquela madrugada e afirma ter passado por 12 assaltos em um ano e meio no turno noturno. Depois da morte da colega, relatou agravamento de crises de ansiedade, sintomas de depressão e estresse pós-traumático. Atualmente em outra unidade da rede, ele entrou na Justiça pedindo rescisão indireta do contrato de trabalho.

Outro funcionário da mesma loja, Jonas Xavier, de 35 anos, também relata ter presenciado 12 assaltos em aproximadamente um ano. Em uma das ocorrências, teve uma arma apontada para a cabeça. Ele conseguiu uma liminar para se afastar do trabalho enquanto aguarda o julgamento de um pedido de rescisão indireta e se mudou para outro estado.

Os casos não se restringem a uma única unidade. Jefferson Machado, que trabalhou em uma loja 24 horas do grupo RD Saúde, em Pirituba, afirma que o estabelecimento chegou a registrar quatro anúncios de assalto em apenas dez dias. Com a piora da saúde mental, deixou a empresa e decidiu buscar oportunidades fora das farmácias.

CRF-SP relata pedidos para deixar turnos da madrugada

Para Adryella Luz, diretora-tesoureira do CRF-SP, os impactos psicológicos da violência se tornaram uma das preocupações da entidade. “Já não é fácil estar ali numa farmácia lidando com o público, imagina o quão traumático é para esse colega que está ali, vai trabalhar e, de repente, tem uma arma apontada na cabeça dele para poder entregar um medicamento”, afirma.

Segundo Adryella, o conselho recebe relatos de profissionais da capital e do interior interessados em deixar os horários da madrugada. A entidade afirma ainda ter percebido uma redução no número de estabelecimentos que permanecem abertos nesse período e defende que o funcionamento das unidades 24 horas entre na discussão sobre segurança dos trabalhadores.

O CRF-SP informou que tem cobrado das autoridades policiais medidas para ampliar a segurança nas farmácias. A Secretaria da Segurança Pública de São Paulo declarou que a Polícia Militar direciona o policiamento para áreas com maior incidência desse tipo de crime.

Violência já teve casos em diferentes cidades

Ocorrências envolvendo roubos a farmácias foram registradas nos últimos meses em diferentes pontos do país. Houve casos no Rio de Janeiro e no Recife, além de episódios no estado de São Paulo, incluindo Sorocaba e bairros da capital.

No caso que terminou com a morte de Karina Ribeiro, três suspeitos foram indiciados. Segundo a Secretaria da Segurança Pública, dois foram presos e condenados e o terceiro permanece foragido. A investigação da Corregedoria sobre o policial que efetuou o disparo concluiu que ele atuou em legítima defesa própria e de terceiro.

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