Saúde • 11:05h • 07 de janeiro de 2026
Só 10% ligam diabetes a problemas nos rins e no coração no Brasil, aponta Datafolha
Levantamento do Datafolha revela desconhecimento sobre impactos silenciosos da doença e reforça a importância da prevenção e do acompanhamento contínuo
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Edelman | Foto: Arquivo/Âncora1
Apesar de quase toda a população brasileira afirmar já ter ouvido falar sobre diabetes, o conhecimento sobre suas consequências de longo prazo ainda é limitado. Uma pesquisa nacional do Datafolha, realizada em 113 municípios, aponta que apenas 10% dos brasileiros associam espontaneamente o diabetes a complicações nos rins ou no coração, como doença renal crônica, insuficiência cardíaca e hipertensão.
O dado chama atenção porque esses danos costumam evoluir de forma silenciosa. Segundo o levantamento, encomendado pela AstraZeneca, as complicações mais lembradas pela população são amputações, citadas por 27% dos entrevistados, e perda da visão, mencionada por 23%. Já os efeitos menos visíveis, porém potencialmente mais graves, seguem fora do radar da maioria.
Na prática médica, o diabetes mal controlado pode afetar múltiplos órgãos ao mesmo tempo. Além dos olhos, estão entre as complicações mais frequentes os rins, o coração, os vasos sanguíneos, o sistema nervoso periférico e o cérebro, aumentando o risco de acidente vascular cerebral, insuficiência renal e doenças cardiovasculares. Por isso, o controle rigoroso da glicemia e o acompanhamento regular são considerados decisivos para evitar o agravamento do quadro.
Para o nefrologista Dr. Carlos Koga, o resultado da pesquisa expõe um desafio de informação em saúde. Segundo ele, a população tende a associar o diabetes apenas aos efeitos mais evidentes, enquanto ignora os danos progressivos que se acumulam ao longo dos anos. Ele destaca que ampliar o acesso à informação e à prevenção é essencial para que mais pessoas reconheçam os riscos e busquem acompanhamento médico antes que surjam complicações irreversíveis.
Um problema crescente no Brasil e no mundo
A Organização Mundial da Saúde classifica o diabetes como uma epidemia silenciosa. No mundo, mais de 830 milhões de pessoas convivem com a doença. No Brasil, o número já chega a cerca de 16 milhões. O crescimento entre adultos jovens, impulsionado por sedentarismo, alimentação inadequada e obesidade, preocupa especialistas e reforça a necessidade de políticas de prevenção mais efetivas.
De acordo com o endocrinologista Dr. Rodrigo O. Moreira, do Departamento de Diabetes da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, o diagnóstico precoce e o tratamento adequado permitem controlar a doença e evitar complicações graves. Ele ressalta que informação e prevenção caminham juntas no cuidado com a saúde e precisam alcançar diferentes faixas etárias.
Jovens desconhecem a relação entre diabetes e rins
O levantamento mostra que o desconhecimento é ainda maior entre os mais jovens. Quando a pergunta é direta, metade dos brasileiros entre 16 e 24 anos afirma nunca ter ouvido falar da relação entre diabetes e doença renal. Para a cardiologista Dra. Lidia Moura, professora do curso de Medicina da PUCPR, os dados indicam que há espaço para ampliar a educação em saúde entre adolescentes e jovens adultos, que podem ter papel importante na mudança de hábitos e na disseminação de informação qualificada.
Hipertensão é conhecida, mas pouco conectada ao diabetes
A pesquisa também avaliou o conhecimento sobre hipertensão arterial. Embora 98% dos entrevistados afirmem conhecer a pressão alta e cerca de 30% dos adultos brasileiros convivam com a condição, nem sempre ela é percebida como parte de um conjunto de doenças interligadas. Quando convidados a apontar as enfermidades de maior risco, 42% incluíram a hipertensão, percentual inferior ao atribuído ao diabetes e à insuficiência cardíaca.
Entre os que relataram já ter tido pressão alta, a maioria disse ter recebido explicações médicas sobre a relação entre pressão arterial, diabetes e doenças cardíacas e renais. Ainda assim, especialistas alertam que reconhecer o problema não basta. Monitorar a pressão, controlar a glicemia e adotar hábitos saudáveis seguem sendo medidas centrais para proteger o coração e os rins.
Interesse por informação supera a orientação recebida
Outro dado relevante é que 31% das pessoas com diagnóstico de diabetes e ou hipertensão afirmam nunca ter recebido orientações médicas sobre prevenção de doenças associadas. Em contrapartida, 61% dizem ter interesse em conversar com especialistas para esclarecer dúvidas sobre alimentação, riscos renais e cardiovasculares.
Para especialistas, essa combinação de desconhecimento e interesse revela uma oportunidade clara de ampliar ações de educação em saúde. A desconexão entre o que a população sabe e os reais impactos do diabetes reforça a necessidade de abordagens mais integradas, capazes de prevenir complicações como insuficiência renal, falência cardíaca, amputações e perda da visão.
A orientação é que o cuidado comece cedo. Procurar acompanhamento médico, seguir o tratamento indicado e entender como as doenças crônicas se relacionam são passos fundamentais para garantir mais qualidade de vida ao longo dos anos.
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