Variedades • 18:41h • 01 de agosto de 2026
Às vésperas do Dia dos Pais, pediatra revela 8 lições que aprendeu em 25 anos ouvindo famílias
Após mais de duas décadas de consultório, médico e psicanalista compartilha aprendizados sobre presença, limites, afeto e construção de vínculos familiares
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da LC Comunicação | Foto: Divulgação
O Dia dos Pais costuma despertar homenagens, presentes e reuniões em família. Mas, para muitos homens, a data também provoca uma reflexão inevitável: afinal, existe um jeito certo de ser pai?
Para o pediatra e psicanalista Fausto Flor Carvalho, a resposta é não. Depois de mais de 25 anos atendendo crianças, adolescentes e suas famílias, ele concluiu que a paternidade não exige perfeição, mas disposição para aprender, corrigir erros e construir vínculos verdadeiros.
Essas experiências deram origem ao livro "Bom pai, mau pai", publicado pela LC Books, no qual o médico apresenta princípios que considera essenciais para quem deseja exercer uma paternidade mais consciente e presente.
1. Estar presente vale mais do que apenas estar em casa
Muitos pais passam o dia inteiro ao lado dos filhos, mas com a atenção voltada para o celular, o computador ou outras preocupações.
Segundo Fausto Carvalho, a verdadeira presença acontece quando existe disponibilidade emocional. Uma conversa sem interrupções, uma brincadeira, um passeio ou simplesmente ouvir o que a criança tem a dizer podem fortalecer o vínculo muito mais do que horas dividindo o mesmo ambiente.
O especialista alerta que a tecnologia aproxima quem está distante, mas também pode afastar quem está sentado ao nosso lado.
2. Educar também significa assumir posições
Evitar conflitos pode parecer mais confortável, mas a omissão costuma gerar insegurança.
Na avaliação do pediatra, crianças e adolescentes precisam de adultos que estabeleçam limites claros e expliquem por que determinadas atitudes não são aceitáveis.
Dizer "não" quando necessário não representa falta de amor. Pelo contrário, transmite segurança e ajuda os filhos a compreenderem que toda convivência envolve regras e responsabilidades.
3. Reconheça as qualidades antes de apontar os erros
É comum que pais percebam rapidamente aquilo que os filhos fizeram de errado, mas deixem passar despercebidas as atitudes positivas.
Valorizar a generosidade, a dedicação, a curiosidade, o esforço ou a coragem fortalece a autoestima e incentiva o desenvolvimento dessas características.
Segundo o autor, crianças que recebem reconhecimento sincero tendem a construir uma imagem mais saudável de si mesmas.
4. Evite comparações entre irmãos
Cada filho possui personalidade, ritmo e necessidades diferentes.
Quando um deles percebe que recebe menos atenção, menos paciência ou menos reconhecimento, podem surgir sentimentos de rejeição que permanecem por muitos anos.
Para Fausto, tratar os filhos com justiça não significa agir exatamente da mesma forma com todos, mas garantir que cada um se sinta igualmente amado e valorizado.
5. Os filhos aprendem muito mais observando do que ouvindo
O comportamento dos pais costuma ensinar mais do que qualquer conselho.
A maneira como um adulto trata outras pessoas, reage diante das dificuldades, respeita compromissos ou utiliza o próprio celular serve de modelo para os filhos diariamente.
Por isso, antes de exigir determinadas atitudes das crianças, vale refletir se elas já conseguem enxergar esse comportamento dentro de casa.
6. Ensinar a lidar com frustrações prepara para a vida
Nem todos os desejos podem ser atendidos imediatamente.
Aprender a esperar, controlar impulsos, ouvir um "não" e compreender que existem limites ajuda crianças e adolescentes a desenvolverem equilíbrio emocional.
Segundo o especialista, essas habilidades são construídas aos poucos, por meio de regras, rotina e do exemplo dado pelos próprios pais.
7. O maior patrimônio é o exemplo deixado
Bens materiais podem facilitar a vida dos filhos, mas dificilmente substituem valores transmitidos dentro de casa.
Honestidade, responsabilidade, respeito, solidariedade e compromisso são heranças que permanecem por toda a vida e costumam ser construídas muito mais pelas atitudes dos pais do que pelas palavras.
Para o médico, o maior legado não é aquilo que os pais deixam para os filhos, mas aquilo que deixam dentro deles.
8. Sempre existe tempo para reconstruir a relação
Muitos pais carregam culpa por erros cometidos ao longo da criação dos filhos.
Fausto defende que reconhecer equívocos, pedir desculpas quando necessário e mudar a forma de agir são atitudes que fortalecem, e não enfraquecem, a relação familiar.
Independentemente da idade dos filhos, nunca é tarde para retomar conversas, reconstruir vínculos e exercer uma paternidade mais próxima e consciente.
Paternidade se constrói todos os dias
Às vésperas do Dia dos Pais, as reflexões propostas pelo pediatra reforçam que não existe um manual capaz de eliminar todas as dúvidas da criação dos filhos.
O que faz diferença, segundo ele, é a disposição de participar da vida das crianças e adolescentes de forma ativa, oferecendo tempo, diálogo, limites, afeto e exemplo. São atitudes simples, repetidas diariamente, que acabam deixando marcas muito mais duradouras do que qualquer presente.
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