Gastronomia & Turismo • 11:49h • 15 de julho de 2026
Saber cozinhar já não basta: gastronomia vira porta de entrada para quem quer empreender
Delivery, redes sociais e vendas por encomenda mudaram o perfil de quem busca formação na área e colocaram gestão, precificação e marketing ao lado das receitas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | via Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Saber preparar um bom prato já não é suficiente para quem pretende transformar a gastronomia em fonte de renda. Com o crescimento das vendas por encomenda, do delivery e dos pequenos negócios de alimentação, escolas profissionalizantes passaram a incluir gestão financeira, precificação e marketing na formação de futuros empreendedores.
A mudança acompanha um novo perfil de aluno. Se antes grande parte dos estudantes buscava qualificação para trabalhar em restaurantes, hoje cresce o número de pessoas que chegam aos cursos com o objetivo de vender de casa, criar uma marca própria ou estruturar uma pequena operação no setor.
O movimento também aparece nos números da educação profissional. Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), o segmento de Educação cresceu 6,4% no primeiro trimestre de 2026 em comparação com o mesmo período do ano anterior.
Da receita para a planilha de custos
Na gastronomia, o desafio começa quando uma receita precisa se transformar em produto. Calcular o custo dos ingredientes, definir o preço de venda, montar um cardápio e entender as taxas do delivery são decisões que podem determinar a sustentabilidade do negócio.
“O empreendedor de hoje entende que cozinhar bem é apenas uma parte do negócio. Para construir uma operação sustentável, ele precisa dominar gestão, conhecer o comportamento do consumidor e saber utilizar ferramentas que ampliem as vendas”, afirma Glaucio Athayde, CEO do Instituto Gourmet.
Ao completar 12 anos, a rede afirma ter acompanhado essa transformação dentro das salas de aula. Os cursos passaram a incorporar competências ligadas à gestão e ao empreendedorismo, além da formação técnica em cozinha.
Delivery mudou o caminho de quem entra na gastronomia
A expansão das plataformas de entrega e a digitalização dos pequenos negócios também criaram novas formas de começar. Nem todo profissional pretende abrir um restaurante ou buscar emprego em uma cozinha tradicional.
Vendas por encomenda, produção em casa, cozinhas compartilhadas e marcas criadas inicialmente para o ambiente digital passaram a fazer parte desse mercado.
“Percebemos que nossos alunos passaram a enxergar a gastronomia como um negócio. Isso mudou a forma como estruturamos nossos cursos. Hoje, tão importante quanto ensinar uma receita é preparar o aluno para tomar decisões que garantam a sustentabilidade da empresa”, diz Athayde.
Precificação e marketing entram no cardápio dos cursos
Como parte das ações pelos 12 anos, o Instituto Gourmet passou a oferecer aos novos alunos um curso complementar de empreendedorismo voltado ao iFood, ministrado por Bia Fraga. O conteúdo aborda precificação, montagem de cardápio, posicionamento digital e operação em plataformas de delivery.
A instituição também recebeu a chancela da ABF e voltou a figurar entre as redes destacadas no Guia de Franquias da Pequenas Empresas & Grandes Negócios.
A transformação do ensino gastronômico acompanha uma mudança que já chegou às cozinhas de pequenos empreendedores: uma boa receita pode abrir a porta, mas transformar o produto em renda exige entender custos, vendas e o comportamento de quem está do outro lado do pedido.
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