Variedades • 19:47h • 04 de março de 2026
“Scroll infinito”: redes sociais antes de dormir podem afetar a qualidade do sono
Consumo contínuo de conteúdos digitais pode aumentar ansiedade, depressão e prejudicar a qualidade do descanso
Da Redação | Com informações da Assessoria de Imprensa Capuchino | Foto: Arquivo/Âncora1
O hábito de navegar pelas redes sociais antes de dormir ou logo ao acordar se tornou rotina para milhões de pessoas. Embora essas plataformas tenham sido criadas para aproximar pessoas e facilitar a comunicação, especialistas alertam que o uso excessivo pode gerar impactos importantes na saúde mental e na qualidade do sono.
Segundo profissionais da área de psicologia, o funcionamento das redes sociais é estruturado para manter o usuário conectado pelo maior tempo possível. Curtidas, comentários e notificações estimulam a liberação de dopamina, neurotransmissor ligado à sensação de prazer, criando um ciclo de recompensas que pode levar à dependência digital.
Esse processo também favorece a comparação constante com conteúdos idealizados, que muitas vezes retratam versões editadas da realidade. O resultado pode ser o aumento de sentimentos de frustração, ansiedade e esgotamento mental.
De acordo com a psicóloga Fernanda Macedo, diretora da Life DH, o problema não é apenas psicológico. O uso de dispositivos eletrônicos durante a noite interfere diretamente nos processos biológicos do organismo. “A luz azul emitida pelas telas interfere na produção de melatonina, hormônio responsável por sinalizar ao corpo que é hora de dormir. Isso mantém o cérebro em estado de alerta e pode resultar em um sono fragmentado e de baixa qualidade”, explica.
Outro fenômeno associado ao uso constante das redes sociais é o FOMO, sigla em inglês para Fear of Missing Out, que representa o medo de estar perdendo algo importante. Essa sensação leva muitas pessoas a verificarem constantemente as notificações, prolongando o tempo de exposição às telas.
Com o cérebro continuamente estimulado por informações, vídeos e mensagens, o organismo tem dificuldade de entrar em um estado de relaxamento adequado para o descanso.
Como reduzir os impactos
Especialistas defendem uma reeducação digital, baseada no uso consciente da tecnologia e na criação de limites claros para o tempo de exposição às telas.
Entre as recomendações estão evitar o uso de celulares e outros dispositivos eletrônicos pelo menos uma hora antes de dormir, estabelecer períodos do dia livres de tecnologia e priorizar atividades offline durante momentos de lazer ou refeições.
Outra estratégia é realizar uma curadoria do conteúdo consumido nas redes sociais e utilizar ferramentas de monitoramento de tempo de uso, disponíveis na maioria dos smartphones.
Para Fernanda Macedo, o objetivo não é abandonar a tecnologia, mas recuperar o controle sobre a forma como ela é utilizada. “A tecnologia deve ser uma ferramenta que facilita a vida e a produtividade, não um gatilho constante de ansiedade”, afirma.
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