Mundo • 10:35h • 18 de julho de 2026
Sem mecânicos, não há voo: falta de profissionais cria milhares de oportunidades na aviação
Expansão da frota mundial aumenta a procura por técnicos de manutenção, profissionais indispensáveis para garantir a segurança dos voos e o funcionamento das aeronaves
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da No Ar Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Enquanto pilotos costumam ser o rosto mais conhecido da aviação, outra profissão se tornou estratégica para o crescimento do setor aéreo: a de mecânico de manutenção aeronáutica. Com a expansão das frotas e o aumento do número de voos no mundo, empresas enfrentam dificuldades para encontrar profissionais qualificados, abrindo espaço para quem deseja ingressar em uma carreira com alta empregabilidade.
Segundo projeções da Boeing, a aviação comercial precisará de 710 mil novos técnicos de manutenção aeronáutica até 2044, dentro de uma demanda total de 2,37 milhões de profissionais em todo o mundo. Na América Latina, a expectativa é de cerca de 42 mil novas vagas para atender ao crescimento do setor.
Sem mecânicos, os aviões simplesmente não voam
Muito além dos reparos, os mecânicos são responsáveis por inspeções, revisões preventivas, manutenção dos sistemas e pela certificação das condições de segurança de cada aeronave antes da decolagem.
Segundo Lito Sousa, fundador da Lito Academy, a falta desses profissionais já limita a expansão de algumas empresas.
"Hoje muitas companhias têm dificuldade para ampliar suas operações porque simplesmente não encontram técnicos suficientes para atender à demanda. É uma profissão essencial para a aviação e que vive um momento muito favorável", afirma.
Mercado oferece alta empregabilidade
No Brasil, a procura por cursos de manutenção aeronáutica cresceu nos últimos anos, impulsionada pelo aumento das oportunidades e pela necessidade de reposição de mão de obra especializada.
A Lito Academy informa que forma cerca de 2 mil mecânicos por ano, com índice de empregabilidade próximo de 70%, resultado impulsionado pelas parcerias com companhias aéreas e oficinas homologadas, que permitem aos alunos iniciarem estágios ainda durante a formação.
Formação é regulamentada pela Anac
Para atuar como mecânico de manutenção aeronáutica é necessário concluir um curso homologado pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), com duração média de dois anos.
A formação contempla especializações nas áreas de Célula, Grupo Motopropulsor (GMP) e Aviônicos, responsáveis pela estrutura da aeronave, motores e sistemas eletrônicos.
Após o curso, o profissional ainda precisa cumprir experiência prática para obter a licença definitiva de atuação.
Profissão ainda busca maior diversidade
Dados da Anac indicam que o Brasil possui cerca de 15 mil mecânicos de manutenção aeronáutica registrados. Apesar disso, a participação feminina ainda é pequena: apenas 835 mulheres atuam atualmente na profissão.
Segundo especialistas, as empresas vêm ampliando iniciativas para aumentar a diversidade nas equipes técnicas e atrair novos profissionais para o setor.
Salários podem superar R$ 20 mil
A remuneração varia conforme a especialização, o tempo de experiência e o domínio do inglês.
Em início de carreira, os salários giram em torno de R$ 3 mil, enquanto profissionais experientes podem ultrapassar R$ 20 mil, especialmente em companhias internacionais que operam no Brasil ou em oportunidades no exterior, como Canadá, Estados Unidos e Emirados Árabes Unidos.
Além dos jovens, a profissão também tem atraído pessoas em transição de carreira e profissionais com mais de 50 anos, movimento que ganhou força após a pandemia.
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