Mundo • 15:35h • 30 de abril de 2026
Sem perícia presencial, INSS passa a decidir benefício só com atestado e aumenta risco de negativa
Novo modelo digital exige documentos mais completos e detalhados para comprovar incapacidade
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da M2 Comunicação Jurídica | Foto: Divulgação
A concessão de benefícios por incapacidade temporária pelo INSS passou por uma mudança relevante que altera a lógica de análise dos pedidos. Agora, afastamentos de até 90 dias podem ser avaliados sem perícia médica presencial, por meio do sistema Atestmed. A medida busca reduzir filas e acelerar o atendimento, mas transfere para os documentos médicos a responsabilidade total pela comprovação da incapacidade.
Na prática, o que antes podia ser esclarecido na consulta com o perito passa a depender exclusivamente da qualidade das informações apresentadas pelo segurado.
Atestado virou peça central e pode definir aprovação ou negativa
Segundo a médica Caroline Daitx, especialista em medicina legal e perícia médica, o novo modelo exige um nível técnico mais elevado na elaboração dos atestados. “Sem a perícia presencial, os documentos se tornam os únicos ‘porta-vozes’ do trabalhador. Se não forem bem fundamentados, o pedido pode ser negado por insuficiência de provas”, afirma.
A simples indicação de um diagnóstico já não é suficiente. É necessário detalhar como a condição de saúde impede o exercício da atividade profissional, incluindo informações como tempo de afastamento, CID, assinatura e identificação do médico.
Casos com doenças psiquiátricas, síndromes complexas ou de difícil diagnóstico tendem a exigir ainda mais robustez documental, especialmente quando há necessidade de recurso administrativo ou ação judicial.
Negativas tendem a crescer com justificativas genéricas
Com a digitalização do processo, especialistas apontam aumento no número de indeferimentos por falta de comprovação adequada. Nesses casos, clínicas especializadas em perícia médica passam a atuar na revisão dos documentos e na elaboração de pareceres técnicos que possam sustentar novos pedidos ou recursos.
A ausência da avaliação presencial elimina a possibilidade de esclarecimentos diretos, o que aumenta o peso de cada informação registrada no atestado e nos exames anexados.
Facilidade digital não garante aprovação
Apesar de simplificar o envio pelo sistema Meu INSS, a mudança pode gerar uma falsa sensação de segurança. A facilidade operacional não reduz o rigor da análise.
A recomendação é que o segurado organize um dossiê médico completo, com exames atualizados, histórico clínico e atestados detalhados, antes de formalizar o pedido.
Para a especialista, a nova regra representa um avanço em termos de agilidade, mas exige uma mudança de comportamento. “A facilidade de envio não garante o benefício. O que realmente faz diferença é a qualidade técnica das informações apresentadas”, destaca.
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