Saúde • 15:15h • 26 de março de 2026
Sepse é principal causa de morte em prematuros e pode ser evitada com mudanças simples
Estudo mostra que ajustes nas práticas hospitalares reduziram casos de infecção em bebês de muito baixo peso
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1
A sepse, uma reação inflamatória grave do organismo a infecções, é a principal causa de morte entre recém-nascidos prematuros com muito baixo peso — aqueles que nascem com menos de 1.500 gramas. A condição pode surgir nos primeiros dias de vida, associada a fatores maternos, ou após esse período, geralmente ligada ao ambiente hospitalar.
Por terem o sistema imunológico ainda imaturo e dependerem de dispositivos como ventilação mecânica e cateteres, esses bebês ficam mais vulneráveis a infecções. Embora essenciais, esses recursos também podem facilitar a entrada de microrganismos.
A Rede Brasileira de Pesquisas Neonatais (RBPN) monitora há décadas a situação desses pacientes e identificou a sepse tardia como um dos principais desafios nas UTIs neonatais. Em alguns períodos, a incidência chegou a atingir até 30% dos prematuros atendidos.
Para enfrentar o problema, foi criado um projeto de intervenção que propôs mudanças práticas no atendimento. A iniciativa envolveu 12 centros entre 2021 e 2023 e conseguiu reduzir os casos em 67% das unidades participantes, com queda geral de 18,5%.
Entre as principais medidas adotadas estão a redução do uso desnecessário de antibióticos nas primeiras horas de vida, o controle mais rigoroso no uso de cateteres e o incentivo ao uso precoce do leite materno, considerado fundamental para fortalecer a imunidade dos bebês.
Os resultados mostram que ações simples, de baixo custo e baseadas em organização e monitoramento, podem fazer grande diferença na prevenção da sepse. Além disso, o trabalho em equipe e a adaptação das metas à realidade de cada unidade foram apontados como fatores decisivos para o sucesso do projeto.
Diante dos resultados positivos, a iniciativa deve ser ampliada para mais unidades neonatais, com a inclusão de toda a equipe de saúde no processo. A expectativa é que o modelo possa ser replicado em outros serviços e contribua para reduzir mortes evitáveis entre recém-nascidos no país.
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