Ciência e Tecnologia • 20:28h • 29 de julho de 2026
Seu site recebe pessoas ou robôs? Bots já são maioria na internet e podem estar enganando sua empresa
Estudo aponta que bots responderam por 53% da atividade na web em 2025, levantando um alerta sobre campanhas digitais, métricas de acesso e decisões de investimento
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com contribuições Diego Baião/via Nova Ideia | Foto: Arquivo/Âncora1
Um site pode registrar milhares de visitas em um único dia e, ainda assim, não gerar uma única venda. Para muitas empresas, esse cenário costuma ser atribuído ao produto, ao preço ou à estratégia de marketing. No entanto, uma parcela crescente desse tráfego sequer é formada por pessoas. Segundo o Bad Bot Report 2026, da empresa de cibersegurança Imperva, 53% de toda a atividade registrada na internet durante 2025 foi gerada por bots, superando, pela primeira vez, o tráfego humano, que representou 47%.
O levantamento reforça uma mudança importante na forma como empresas devem interpretar indicadores como número de acessos, cliques e visualizações. Hoje, uma audiência elevada não significa necessariamente que existe um público interessado em comprar.
Bots já dominam boa parte da internet
Os bots são programas automatizados capazes de executar tarefas na internet sem intervenção humana. Muitos deles desempenham funções legítimas, como indexar páginas para mecanismos de busca, monitorar serviços ou alimentar assistentes baseados em inteligência artificial.
Por outro lado, também existem bots desenvolvidos para coletar preços automaticamente, preencher formulários com dados falsos, realizar tentativas de invasão, testar cartões de crédito, produzir cliques fraudulentos em anúncios e até simular o comportamento de consumidores reais.
Segundo o relatório da Imperva, aproximadamente 40% de todo o tráfego da internet já corresponde a bots maliciosos, evidenciando um cenário que exige atenção das empresas.
Muito acesso não significa mais vendas
Para Leandro Ferrari, especialista em marketing digital, analisar apenas o volume de acessos pode levar empresas a conclusões equivocadas.
"Quando a empresa confunde atividade técnica com interesse comercial, ela superestima a força da campanha e pode aumentar o orçamento de uma fonte que não atrai compradores. O problema aparece no custo de aquisição, na taxa de conversão e até na avaliação de uma oferta", afirma.
Na prática, isso significa que campanhas aparentemente bem-sucedidas podem estar atraindo visitantes sem qualquer intenção de compra, distorcendo indicadores e comprometendo decisões estratégicas.
Tráfego artificial pode prejudicar toda a operação
Os impactos vão muito além das métricas de marketing. Cliques artificiais podem consumir parte do orçamento destinado à publicidade digital. Cadastros falsos ocupam o tempo das equipes comerciais, carrinhos de compra criados automaticamente comprometem projeções de estoque, enquanto acessos repetitivos influenciam testes de páginas, públicos de remarketing e análises de comportamento.
Como consequência, empresas podem investir mais em campanhas que parecem eficientes nos relatórios, mas que, na prática, não geram faturamento.
Como identificar acessos suspeitos
Embora não exista um único indicador capaz de diferenciar todo o tráfego humano do automatizado, especialistas recomendam observar alguns sinais de alerta.
Entre eles estão picos repentinos de visitas sem justificativa aparente, permanência muito curta nas páginas, repetição excessiva de ações, acessos em horários incomuns e diferenças significativas entre os números das plataformas de anúncios, do site e das vendas efetivamente concluídas.
Ferrari destaca que o diagnóstico precisa considerar toda a jornada do usuário. "Se uma campanha entrega milhares de acessos, mas quase ninguém avança para etapas que exigem intenção real, a empresa deve verificar a qualidade desse público antes de culpar a página, o produto ou a equipe."
Marketing, tecnologia e segurança precisam trabalhar juntos
O crescimento da automação tornou insuficiente analisar apenas métricas tradicionais. Enquanto o marketing acompanha aquisição e conversão de clientes, equipes de tecnologia monitoram servidores, APIs e padrões de acesso, e profissionais de segurança identificam tentativas de fraude e atividades suspeitas.
Segundo especialistas, integrar essas informações permite bloquear bots maliciosos sem impedir rastreadores legítimos, comparadores de preços e sistemas de inteligência artificial que ajudam consumidores a encontrar produtos e conteúdos.
Em um cenário em que máquinas já representam a maior parte da atividade online, visitas, cliques e leads precisam ser analisados em conjunto com indicadores de qualidade, intenção de compra e receita efetivamente gerada. Caso contrário, empresas podem comemorar números expressivos que pouco refletem o comportamento real dos consumidores.
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