Saúde • 14:00h • 15 de fevereiro de 2026
Sexo com dor: entenda causas, sinais de alerta e quando buscar tratamento
Especialista afirma que condições como vaginismo e dispareunia têm diagnóstico e abordagem específica, e não devem ser normalizadas
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Tinteiro Assessoria | Foto: Divulgação
A dor durante a relação sexual ainda afeta milhões de mulheres e, apesar do impacto físico e emocional, costuma ser subnotificada e tratada como algo “normal”. Revisões clínicas e consensos internacionais indicam que entre 40% e 45% das disfunções sexuais atingem mulheres, sendo parte delas associada à dor na penetração, como nos casos de vaginismo e dispareunia. Mesmo assim, a procura por avaliação especializada permanece baixa.
Segundo a fisioterapeuta Mariana Milazzotto, mestre em Ciências Médicas, a demora em buscar ajuda está ligada à forma como a dor feminina é historicamente tratada. Ela afirma que muitas mulheres crescem ouvindo que sentir dor é esperado ou resultado de ansiedade, o que contribui para a normalização do problema. Para a especialista, dor durante o sexo não deve ser considerada comum e possui tratamento.
O que pode causar dor na relação
A Organização Mundial da Saúde reconhece a sexualidade como parte da saúde e da qualidade de vida. Quando a dor se torna presente, os efeitos podem incluir ansiedade, frustração, queda da autoestima e sofrimento emocional.
Entre as condições mais associadas estão:
Dispareunia
Caracterizada por dor durante ou após a relação sexual, podendo ser superficial ou profunda.
Vaginismo
Envolve contração involuntária da musculatura vaginal, tornando a penetração dolorosa ou inviável, inclusive durante exames ginecológicos ou uso de absorventes internos.
De acordo com critérios internacionais, o diagnóstico ocorre quando a dor é recorrente ou persiste por pelo menos seis meses, frequentemente acompanhada de medo, ansiedade ou tensão muscular relacionada à penetração.
As causas são multifatoriais e podem envolver tensão excessiva da musculatura do assoalho pélvico, alterações hormonais, experiências dolorosas anteriores, traumas físicos ou emocionais e crenças negativas sobre sexualidade. Mariana explica que, quando a musculatura permanece em estado constante de defesa, o corpo pode responder com dor.
Por que o diagnóstico demora
A especialista observa que muitas mulheres deixam de relatar o problema por vergonha ou por acreditarem que o desconforto faz parte da vida sexual. Em outros casos, o encaminhamento ocorre apenas para acompanhamento psicológico, sem avaliação corporal específica.
Dados populacionais mostram que, apesar da alta prevalência de sintomas, a busca por atendimento em saúde sexual feminina ainda é limitada. Esse cenário pode levar à interrupção progressiva da vida sexual e ampliar o impacto emocional.
Tratamento e sinais de alerta
A fisioterapia pélvica atua diretamente na musculatura do assoalho pélvico, responsável por sustentar órgãos, controlar esfíncteres e participar da resposta sexual. O objetivo é promover relaxamento, coordenação e percepção corporal, não apenas fortalecimento.
Evidências clínicas indicam melhores resultados quando o tratamento combina técnicas de relaxamento, liberação miofascial, treinamento muscular, uso orientado de dilatadores vaginais, biofeedback e educação sexual. Estudos apontam redução significativa da dor e melhora da função sexual quando o plano terapêutico é individualizado.
A orientação é procurar avaliação especializada quando a dor:
- Surge de forma recorrente ou persiste por meses;
- Dificulta ou impede a relação sexual;
- Provoca medo, ansiedade ou evitação do contato íntimo;
- Aparece também em exames ginecológicos ou no uso de absorventes internos.
Mariana Milazzotto ressalta que o cuidado deve ser integral, com integração entre fisioterapeuta, médico e psicólogo quando necessário. Para ela, reconhecer o problema e buscar tratamento adequado pode modificar o desfecho e melhorar a qualidade de vida.
Aviso legal
Todos os direitos reservados. É proibida a reprodução, integral ou parcial, do conteúdo textual e das imagens deste site. Para mais informações sobre licenciamento de conteúdo, entre em contato conosco.
Últimas Notícias
As mais lidas do mês
Política
Lula ou Flávio Bolsonaro? Veja onde consultar propostas, histórico e informações antes de votar
Programas de governo em PDF, registros do Senado, despesas federais e plataformas de checagem permitem comparar os candidatos à Presidência com informações oficiais e documentos públicos