Mundo • 10:21h • 03 de maio de 2026
Sexta é o Novo Sábado: 41 empresas em Portugal reduzem escala para 4x3
Especialista defende que modelo é viável e pode "salvar a economia"
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
O livro Sexta-Feira é o Novo Sábado, do economista português Pedro Gomes, professor da Universidade de Londres, reúne experiências de 41 empresas em Portugal que adotaram voluntariamente a semana de trabalho de quatro dias, com três de descanso (modelo 4x3). Segundo o autor, a redução da jornada é viável e pode trazer benefícios não apenas para as empresas, mas para toda a economia e a sociedade.
Para o Brasil, Gomes avalia que há condições de reduzir a jornada para 40 horas semanais e eliminar a escala 6x1. De acordo com suas análises, a mudança tende a diminuir faltas ao trabalho, reduzir a rotatividade de funcionários e estimular setores como lazer e entretenimento.
O economista afirma que há resistência recorrente a esse tipo de proposta, geralmente acompanhada de previsões negativas sobre custos. No entanto, ele argumenta que ganhos de produtividade — quando se produz mais em menos tempo — costumam compensar a redução das horas trabalhadas, como observado historicamente em outros países.
O estudo analisou empresas de diferentes portes e setores, somando mais de mil trabalhadores. Entre elas, 52% pretendem manter a jornada reduzida, 23% devem continuar com o modelo com ajustes e apenas 19% planejam retornar ao formato tradicional. Mais de 90% afirmaram não ter tido aumento de custos, enquanto 86% registraram crescimento de receita em relação ao ano anterior. Cerca de 70% também relataram melhorias nos processos internos.
Entre as mudanças organizacionais mais comuns está a redução do tempo de reuniões, o que contribuiu para maior eficiência no uso da jornada.
O tempo livre adicional também é apontado como um fator com impacto econômico, ao impulsionar o consumo em áreas como turismo, cultura e lazer. Gomes cita exemplos históricos, como a decisão de Henry Ford, em 1926, de adotar a jornada de 40 horas semanais nos Estados Unidos, o que ajudou a consolidar o fim de semana de dois dias e estimulou setores como cinema e entretenimento. Outro exemplo é a China, que, ao adotar o descanso de dois dias para parte dos trabalhadores em 1995, viu crescer o turismo interno.
Em Portugal, a jornada foi reduzida de 44 para 40 horas semanais em 1996.
Além dos efeitos econômicos, a redução da jornada também está associada à melhoria na qualidade de vida, maior equilíbrio entre trabalho e vida pessoal e benefícios específicos para grupos como mulheres, ao facilitar a conciliação com responsabilidades familiares. A diminuição de faltas e da rotatividade também reduz custos para as empresas.
Em alguns casos, empresas conseguiram manter atividades aos sábados reorganizando escalas, concentrando mais funcionários em dias de maior movimento e reduzindo equipes em períodos de menor demanda.
O autor também contesta projeções de queda do Produto Interno Bruto (PIB). Em análise de 250 casos de redução de jornada no mundo desde 1910, foi identificado que a média de crescimento do PIB passou de 3,2% antes das mudanças para 3,9% após sua implementação, indicando que os ganhos de produtividade podem compensar a redução do tempo de trabalho.
Por fim, Gomes destaca que o longo tempo de deslocamento enfrentado por trabalhadores brasileiros reforça a necessidade de discutir jornadas menores, apontando que a medida pode melhorar significativamente a qualidade de vida sem gerar os custos elevados frequentemente apontados por críticos.
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