Responsabilidade Social • 16:49h • 30 de junho de 2026
Silêncio no consultório: medo de julgamento pode comprometer diagnósticos de pessoas LGBTQIA+
Receio de discriminação faz pacientes adiarem consultas, omitirem informações importantes e comprometerem diagnósticos e tratamentos
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da CW Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1
Buscar atendimento médico deveria ser um passo natural para cuidar da saúde. No entanto, para muitas pessoas LGBTQIA+, o medo de sofrer preconceito ainda representa uma barreira importante. Especialistas alertam que o receio de discriminação durante consultas e atendimentos pode levar ao adiamento de exames, à interrupção de tratamentos e até à omissão de informações essenciais para um diagnóstico correto.
O tema ganha ainda mais relevância durante o mês em que é celebrado o Dia Internacional do Orgulho LGBTQIA+, reforçando a necessidade de ampliar o debate sobre o acesso igualitário aos serviços de saúde e o respeito aos direitos dessa população.
Segundo especialistas, quando a confiança entre paciente e profissional é comprometida, toda a qualidade da assistência também pode ser afetada.
O silêncio no consultório também pode prejudicar a saúde
Na tentativa de evitar situações constrangedoras, muitos pacientes deixam de informar aspectos importantes de sua vida durante a consulta. Dados relacionados à orientação sexual, identidade de gênero, práticas sexuais e contexto familiar podem deixar de ser mencionados por medo de julgamentos ou tratamento inadequado.
De acordo com o psicólogo Jonas Moreira, do CEJAM (Centro de Estudos e Pesquisas "Dr. João Amorim"), esse comportamento é consequência de um processo histórico de exclusão e invisibilidade enfrentado pela população LGBTQIA+.
Segundo Moreira, quando informações relevantes deixam de ser compartilhadas, o profissional de saúde pode ter mais dificuldade para realizar avaliações completas e indicar a melhor conduta clínica.
Preconceito também afeta a saúde mental
Especialistas destacam que os impactos não se limitam ao atendimento médico. A exposição frequente ao preconceito pode provocar o chamado "estresse de minoria", conceito utilizado para descrever os efeitos emocionais e psicológicos gerados pela discriminação contínua.
Ansiedade, depressão, insônia, hipervigilância, medo constante e isolamento social estão entre as consequências associadas a esse processo, que também pode reduzir a procura por atendimento preventivo.
Esse cenário cria um ciclo em que o receio de sofrer preconceito afasta pacientes dos serviços de saúde, aumentando a vulnerabilidade e dificultando o cuidado integral.
Respeito começa antes da consulta
As barreiras podem surgir ainda na recepção das unidades de saúde. Segundo a assistente social Luana Silva, do Hospital Dia Campo Limpo, uma das situações mais relatadas envolve o desrespeito ao nome social de pessoas trans e travestis.
Embora o uso do nome social seja um direito garantido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) desde 2009, especialistas afirmam que ainda existem casos em que pacientes deixam de solicitar esse direito por receio de constrangimentos durante o atendimento.
Para os profissionais, o acolhimento começa desde o primeiro contato com o serviço de saúde e envolve respeito, escuta qualificada, sigilo e tratamento digno em todas as etapas.
Atendimento inclusivo beneficia toda a sociedade
Especialistas avaliam que houve avanços importantes nos últimos anos com a ampliação das políticas públicas e da discussão sobre diversidade na formação dos profissionais da saúde.
Ainda assim, defendem que a construção de um atendimento verdadeiramente inclusivo depende de protocolos institucionais permanentes, capacitação das equipes e compromisso com os princípios de universalidade, integralidade e equidade previstos no SUS.
Segundo eles, garantir um ambiente acolhedor e livre de discriminação não beneficia apenas a população LGBTQIA+, mas fortalece a qualidade da assistência prestada a todos os usuários do sistema de saúde.
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