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Responsabilidade Social • 09:01h • 04 de março de 2025

Símbolo da fauna paulista, mico-leão-preto recebe ações de conservação no Estado de SP

Em 28 de fevereiro, comemorou-se o esforço contínuo para proteger uma das espécies mais emblemáticas do estado

Da Redação com informações da Semil | Foto: Divulgação/Governo de São Paulo

Mico-leão-preto
Mico-leão-preto

No dia 28 de fevereiro, celebra-se o Dia do Mico-leão-preto, uma data que destaca a importância dos esforços para a conservação dessa espécie endêmica do estado de São Paulo. Considerado Patrimônio Ambiental do Estado desde 2014, o mico-leão-preto (Leontopithecus chrysopygus) é o único primata exclusivo do território paulista e um dos maiores símbolos da luta pela preservação da biodiversidade na Mata Atlântica.

A espécie, que chegou a ser considerada extinta na natureza até ser redescoberta em 1970 no Parque Estadual do Morro do Diabo, ainda enfrenta sérios riscos. De acordo com a Lista Vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza (IUCN), o mico-leão-preto está classificado como “em perigo de extinção”, com uma população estimada em pouco mais de mil indivíduos na natureza, distribuídos em fragmentos isolados de floresta.

A Secretaria do Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística do Estado de São Paulo (Semil) tem liderado iniciativas para proteger e recuperar a espécie, em parceria com instituições científicas e a sociedade civil. “Uma das principais ferramentas é o Banco Paulista de Germoplasma de Animais Silvestres, mantido pelo Núcleo de Biotecnologia e Diagnóstico Clínico da Coordenadoria de Fauna Silvestre. O banco armazena amostras seminais de diversas espécies, incluindo o mico-leão-preto, utilizando técnicas de criopreservação em nitrogênio líquido a -196°C”, destacou a coordenadora de Fauna Silvestre da Semil, Patrícia Locosque.

Essas amostras, colhidas de animais saudáveis, passam por rigorosas análises de qualidade antes de serem preservadas. “A criopreservação permite a troca de material genético entre instituições e a manutenção de um banco de recursos genéticos para futuros programas de reprodução, essenciais para a conservação de espécies ameaçadas”, explicou a coordenadora.

Além disso, a Comissão Permanente de Proteção dos Primatas Paulistas (Pró-Primatas Paulistas), criada pelo Decreto 60.519/2014, tem promovido ações integradas para a proteção e recuperação do mico-leão-preto em seu habitat natural. A comissão reúne governo, cientistas e organizações da sociedade civil em torno de estratégias que incluem pesquisa científica, educação ambiental e manejo reprodutivo.

Contribuição para a biodiversidade

Os micos-leões-pretos desempenham um papel essencial na regeneração das florestas, agindo como dispersores de sementes. Sua conservação é, portanto, crucial para a preservação da biodiversidade na Mata Atlântica paulista. Com cerca de 30 cm de corpo e 40 cm de cauda, pesando em média 600 gramas, essa espécie se alimenta de frutos e insetos e vive em grupos familiares.

Desde 2012, as ações de conservação têm ganhado força por meio da colaboração entre diversas instituições. Técnicas de captura e estudos sobre a microbiota oral e retal dos animais resultaram em publicações científicas de impacto internacional, como no American Journal of Primatology (link para o estudo), orientado pela Dra. Patrícia Locosque Ramos, coordenadora de Fauna Silvestre da Semil. Além disso, a criação de um biobanco com amostras de DNA de oito indivíduos de vida livre tem contribuído para avanços significativos no entendimento do genoma da espécie e sua variabilidade genética.

Legado científico e desafios futuros

As pesquisas sobre o mico-leão-preto têm gerado importantes avanços em áreas como nutrição, comportamento, ecologia, genética e microbiologia. Em 2023, um estudo baseado em dados históricos de análises laboratoriais foi agraciado com menção honrosa no 1º Congresso Internacional da Associação Brasileira de Patologia Clínica Veterinária, e estabeleceu valores de referência para o manejo veterinário da espécie.

Apesar dos avanços, os desafios ainda são significativos. A fragmentação do habitat e o isolamento das populações exigem ações contínuas de reflorestamento e de melhoria da conectividade entre os fragmentos florestais. Além disso, a educação ambiental e o engajamento da sociedade são essenciais para garantir a sobrevivência dessa espécie única, que é considerada Patrimônio Ambiental do Estado de São Paulo. 

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