Economia • 16:50h • 27 de janeiro de 2026
Simples Nacional registra crescimento expressivo de empresas do agronegócio, aponta estudo
Levantamento do IBPT mostra avanço de 7,1% em um ano, com forte presença de MEIs, renovação do setor e protagonismo regional
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da NA Comunicação | Foto: Arquivo/Âncora1
O número de empresas do agronegócio enquadradas no Simples Nacional cresceu de forma significativa entre 2023 e 2024, segundo estudo divulgado pelo Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação. Em um ano, o total passou de 395 mil para 423 mil negócios, acréscimo de 28 mil empresas e crescimento de 7,1%, movimento considerado relevante para um setor já consolidado e central para a economia brasileira.
A análise, que integra o estudo Raio-X das empresas do Simples Nacional, avaliou dados dos dois últimos anos e revela um processo contínuo de formalização no campo. De acordo com o levantamento, cada vez mais empreendedores rurais têm optado pelo regime simplificado, atraídos por fatores como menor carga tributária, redução da burocracia e condições mais favoráveis de competitividade.
Para Carlos Pinto, diretor do IBPT e um dos autores do estudo, os números indicam uma transformação estrutural. Segundo ele, o crescimento reforça um movimento de maior eficiência e protagonismo econômico do agronegócio brasileiro, com impacto tanto no mercado interno quanto na posição do país como referência internacional no setor.
O levantamento também detalha a distribuição das empresas por porte. Do total de negócios do agronegócio no Simples Nacional, 64,1% são Microempreendedores Individuais, 27,6% se enquadram como microempresas e 8,1% como pequenas empresas. O dado evidencia o peso dos pequenos negócios e da produção familiar na sustentação da cadeia produtiva do agro.
A análise por Classificação Nacional de Atividades Econômicas mostra que a indústria de alimentos lidera com ampla vantagem. A fabricação de produtos de padaria concentra 162 mil empresas, seguida pelos serviços de preparação de terrenos, com 57 mil, e pela fabricação de produtos de panificação, com 35 mil. Segmentos como alimentos prontos, massas, biscoitos, conservas de frutas e derivados de carne também aparecem com relevância, impulsionando economias locais e regionais.
Outro ponto destacado pelo estudo é a idade das empresas. Entre as 423 mil companhias do agronegócio no Simples Nacional, cerca de 200 mil, o equivalente a 47%, têm até dois anos de existência, enquanto outras 105 mil, ou 25%, estão na faixa de três a cinco anos. Isso significa que mais de 70% das empresas formalizadas pelo regime têm no máximo cinco anos, indicando um setor em renovação constante.
Segundo o IBPT, esse perfil jovem está associado a maior agilidade, adoção de novas tecnologias e capacidade de adaptação às mudanças de mercado. Em contraste, empresas com mais de 21 anos de atuação somam cerca de 17 mil e representam uma parcela menor, embora tragam solidez e tradição ao setor.
A distribuição regional revela concentração no Sudeste, que responde por 47,3% das empresas do agronegócio no Simples Nacional, com mais de 200 mil negócios. São Paulo lidera com 95,8 mil empresas, seguido por Minas Gerais, com 56,4 mil. O Sul aparece na sequência, com 19,3%, impulsionado por Paraná e Rio Grande do Sul.
O Nordeste concentra 17,1% das empresas, com destaque para Bahia e Ceará, enquanto o Centro-Oeste reúne 10,7% dos negócios, refletindo um perfil mais voltado a grandes grupos, mas com presença crescente de pequenos empreendedores formais. Já o Norte representa 5,5%, com protagonismo do Pará.
O estudo também avaliou o Índice de Atividade Empresarial no agronegócio. Santa Catarina lidera o ranking, com 57,7% das empresas classificadas em alto IAE, seguido por Rio Grande do Sul, com 53,6%, e Mato Grosso, com 53,5%. Para o IBPT, esses números refletem características regionais, como forte presença da agroindústria, atuação de cooperativas e integração com cadeias logísticas nacionais e internacionais.
Na avaliação do instituto, o avanço do Simples Nacional no agronegócio indica que o futuro do setor passa pela força de empresas jovens e formalizadas, capazes de renovar a base produtiva, ampliar a competitividade e garantir a vitalidade de um dos principais pilares da economia brasileira.
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