Ciência e Tecnologia • 18:21h • 20 de outubro de 2026
Sinais misteriosos do Universo podem surgir da colisão entre estrelas mortas, aponta estudo
Pesquisadores investigam a origem de explosões de ondas de rádio que duram milésimos de segundo e podem estar relacionadas ao encontro de estrelas de nêutrons
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Aanda | Foto: Divulgação
Um dos fenômenos mais misteriosos do Universo pode estar relacionado à colisão de estrelas extremamente densas, formadas após a morte de astros de grande massa. Um estudo científico publicado em outubro de 2026 na revista Astronomy & Astrophysics investigou a possibilidade de que parte dos sinais rápidos de rádio captados por telescópios tenha origem no encontro entre duas estrelas de nêutrons. Os resultados indicam que essas colisões podem explicar uma pequena parcela dos sinais observados, embora a origem da maioria deles continue desconhecida.
Conhecidos como rajadas rápidas de rádio, ou FRBs, na sigla em inglês, esses fenômenos são explosões intensas de ondas de rádio que duram apenas alguns milésimos de segundo. Apesar da duração extremamente curta, podem liberar enormes quantidades de energia e ser detectados a distâncias que ultrapassam os limites da nossa galáxia.
Milhares dessas rajadas já foram registradas por observatórios ao redor do mundo. Algumas acontecem uma única vez, enquanto outras se repetem, levando os cientistas a investigar se diferentes fenômenos cósmicos podem estar por trás desses sinais.
O que acontece quando duas estrelas mortas se encontram?
As estrelas de nêutrons são objetos extremamente compactos que podem surgir quando estrelas de grande massa chegam ao fim de suas vidas e sofrem um colapso. Embora tenham dimensões relativamente pequenas, concentram uma quantidade extraordinária de matéria.
Em alguns sistemas, duas dessas estrelas permanecem ligadas pela gravidade, girando uma ao redor da outra. Com o passar do tempo, perdem energia e se aproximam até ocorrer uma colisão.
O encontro pode produzir um buraco negro ou dar origem a outra estrela de nêutrons. Dependendo das condições, o objeto resultante pode apresentar um campo magnético extremamente intenso, recebendo o nome de magnetar.
Esses objetos estão entre os principais candidatos a produzir as rajadas rápidas de rádio. A relação entre magnetares e pelo menos parte desses sinais já possui evidências observacionais, incluindo uma emissão detectada em nossa própria galáxia.
Simulações ajudam a investigar a origem dos sinais
Para avaliar essa possibilidade, os pesquisadores criaram simulações computacionais de colisões entre estrelas de nêutrons, considerando diferentes massas e características físicas. Em seguida, estimaram quantos desses eventos poderiam produzir rajadas de rádio detectáveis pelo radiotelescópio canadense CHIME, um dos principais instrumentos utilizados no estudo desses fenômenos.
Os resultados indicam que as colisões e os objetos magnéticos formados após esses encontros poderiam explicar até aproximadamente 2% das rajadas rápidas de rádio observadas, conforme os modelos analisados.
Embora seja uma participação pequena, a descoberta é relevante porque sugere que nem todos os sinais misteriosos precisam ter a mesma origem. Alguns podem estar associados à morte de estrelas, outros à atividade de magnetares e uma parcela às colisões entre estrelas de nêutrons.
O estudo também considera a possibilidade de que magnetares estáveis, formados depois dessas colisões, produzam sinais repetidos ao longo de sua existência.
Uma nova maneira de investigar os mistérios do Universo
A próxima etapa para confirmar essa hipótese depende da observação de dois fenômenos associados ao mesmo acontecimento cósmico. Além das rajadas de rádio, colisões entre estrelas de nêutrons produzem ondas gravitacionais, pequenas perturbações no espaço-tempo que podem ser identificadas por equipamentos especializados.
Se os astrônomos conseguirem detectar uma rajada rápida de rádio e ondas gravitacionais provenientes da mesma colisão, terão uma evidência muito mais forte da ligação entre os fenômenos.
Até agora, porém, nenhuma associação significativa desse tipo foi confirmada. Os pesquisadores destacam que novos radiotelescópios e detectores mais sensíveis poderão ampliar as possibilidades de encontrar essas coincidências.
A investigação representa mais um avanço na tentativa de compreender sinais que atravessam o espaço por enormes distâncias antes de alcançar a Terra. Mesmo depois de milhares de detecções, a origem de grande parte dessas emissões permanece entre as questões em aberto da astronomia moderna.
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