Saúde • 08:18h • 24 de junho de 2026
Sintomas da doença falciforme vão além da anemia; saiba mais
Doença hereditária e genética pode causar dores intensas
Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1
A doença falciforme é uma condição genética e hereditária que vai muito além da anemia, embora essa seja uma de suas manifestações mais conhecidas. A enfermidade afeta diversos órgãos e sistemas do corpo, sendo transmitida dos pais para os filhos. Estima-se que até 100 mil brasileiros convivam com a doença.
O problema tem origem em uma alteração nas hemácias, os glóbulos vermelhos responsáveis por transportar oxigênio pelo organismo. Em vez do formato arredondado e flexível, essas células assumem a forma de uma foice, tornando-se mais rígidas e frágeis. Como consequência, elas têm vida útil reduzida e podem obstruir pequenos vasos sanguíneos, dificultando a circulação e a oxigenação dos tecidos.
Essa característica faz com que os pacientes apresentem anemia constante e, ao longo dos anos, possam desenvolver complicações em diferentes órgãos, como coração, pulmões, rins e olhos. A redução do fluxo sanguíneo também pode provocar pequenos danos nos tecidos, comprometendo gradualmente suas funções.
O diagnóstico pode ser realizado ainda nos primeiros dias de vida por meio do Teste do Pezinho, que inclui a pesquisa da hemoglobina alterada responsável pela doença. A identificação precoce permite iniciar o acompanhamento médico rapidamente, reduzindo o risco de infecções graves e outras complicações que podem surgir na infância.
Embora a doença não tenha cura na maioria dos casos, os tratamentos atuais ajudam a controlar os sintomas, prevenir complicações e melhorar a qualidade de vida. Em situações específicas, o transplante de medula óssea pode representar uma possibilidade de cura, desde que o paciente atenda aos critérios médicos e encontre um doador compatível.
Entre os sintomas mais marcantes estão as crises de dor intensa, causadas pelo bloqueio da circulação sanguínea. Essas dores costumam atingir ossos e articulações, mas podem ocorrer em qualquer parte do corpo. Em crianças pequenas, é comum o surgimento de inchaço e vermelhidão nas mãos e nos pés. Em casos mais graves, as crises exigem internação hospitalar e uso de medicamentos potentes para controle da dor.
A doença é mais frequente entre pessoas negras devido à origem genética da mutação, que surgiu no continente africano. No entanto, pode afetar indivíduos de diferentes etnias e está presente em diversas regiões do mundo, incluindo Europa, Ásia, Américas e Oceania.
Pacientes relatam que o impacto da doença vai além das limitações físicas. As internações frequentes, as dores imprevisíveis e as incertezas em relação à saúde podem afetar a rotina, os estudos, o trabalho e a vida emocional. Ainda assim, muitos conseguem construir trajetórias de sucesso profissional e pessoal, demonstrando que, com acompanhamento adequado e acesso ao tratamento, é possível conviver com a doença e manter uma vida ativa.
Especialistas reforçam que a informação e o diagnóstico precoce são fundamentais para garantir melhores condições de tratamento, ampliar a qualidade de vida dos pacientes e combater o preconceito que ainda cerca a doença falciforme.
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