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Responsabilidade Social • 10:08h • 13 de junho de 2026

Situação dos oceanos é grave e demanda ação global urgente, diz ONU

Relatório aponta níveis recordes de degelo em 2022, 2023, 2024 e 2025

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência Brasil | Foto: Arquivo Âncora1

O relatório destaca deslocamento de espécies marinhas para águas mais frias; impactos crescentes das ondas de calor marinhas sobre a pesca; e vulnerabilidade crescente de comunidades costeiras dependentes do oceano.
O relatório destaca deslocamento de espécies marinhas para águas mais frias; impactos crescentes das ondas de calor marinhas sobre a pesca; e vulnerabilidade crescente de comunidades costeiras dependentes do oceano.

O estado dos oceanos no planeta exige ações urgentes e coordenadas entre governos, cientistas, setor privado, organismos internacionais e comunidades costeiras. O alerta está no terceiro ciclo da Avaliação Mundial dos Oceanos, divulgado pela Organização das Nações Unidas (ONU), considerado o principal levantamento multidisciplinar sobre a saúde dos ambientes marinhos.

O estudo reuniu mais de 550 especialistas de 86 países e analisou principalmente dados coletados entre 2018 e 2023. Segundo o relatório, diversos indicadores ambientais apresentaram piora significativa em relação à edição anterior, publicada em 2022.

Entre os principais problemas identificados estão o aumento da temperatura dos oceanos, a elevação do nível do mar, a redução das áreas cobertas por gelo nos polos, a perda de biodiversidade marinha, a pressão sobre os estoques pesqueiros e o crescimento da poluição por resíduos plásticos.

O documento também destaca mudanças na distribuição das espécies marinhas, que estão migrando para águas mais frias, além do aumento das ondas de calor marinhas, que afetam diretamente a pesca e a segurança alimentar. Comunidades costeiras dependentes dos recursos do oceano também se tornaram mais vulneráveis aos impactos climáticos.

Para o professor Ronaldo Christofoletti, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e um dos autores brasileiros do relatório, o oceano desempenha papel fundamental no equilíbrio climático global, mas apresenta sinais cada vez mais evidentes de desgaste.

Segundo ele, fenômenos antes considerados excepcionais estão se tornando frequentes e já representam riscos para o litoral brasileiro, para os recifes de coral, para a atividade pesqueira e para milhões de pessoas que vivem em áreas costeiras.

O relatório mostra que os oceanos entraram em uma fase de aquecimento acelerado. A taxa média global de elevação do nível do mar chegou a 4,3 milímetros por ano entre 2013 e 2023. Na avaliação anterior, baseada em dados de 1993 a 2018, essa taxa era de aproximadamente 3,2 milímetros anuais.

Outro ponto de preocupação é a rápida redução das áreas de gelo nos oceanos polares. Desde 2016, o degelo vem se intensificando e atingiu níveis recordes entre 2022 e 2025. Os especialistas alertam que essas alterações afetam a circulação oceânica, o clima global, a biodiversidade e contribuem para a elevação do nível dos mares.

A poluição por plástico também apresentou forte crescimento. Enquanto o relatório anterior registrava cerca de 1,4 mil espécies impactadas por resíduos plásticos, a nova edição aponta mais de 4 mil espécies afetadas.

Os pesquisadores destacam que a contaminação por plástico deixou de ser apenas um problema visual ou localizado nas regiões costeiras e passou a representar uma ameaça global à biodiversidade, à produção de alimentos e à saúde dos ecossistemas marinhos. No Brasil, o problema está associado principalmente à deficiência no saneamento, ao descarte inadequado de resíduos e à poluição de rios, praias e áreas costeiras.

A pesca também segue sob pressão. Em 2019, cerca de 64,6% dos estoques pesqueiros do mundo eram considerados biologicamente sustentáveis. Em 2021, esse percentual caiu para 62,3%, reforçando as preocupações sobre a segurança alimentar e a conservação dos recursos marinhos nas próximas décadas.

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