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Saúde • 20:21h • 23 de agosto de 2025

Smart Drugs: o “doping intelectual” que cresce no mundo corporativo; entenda o termo

Pesquisa mostra que pressão por resultados leva profissionais a recorrerem a remédios para turbinar o desempenho

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da Assessoria | Foto: Arquivo/Âncora1

O lado oculto da alta performance: quando a produtividade depende de remédios
O lado oculto da alta performance: quando a produtividade depende de remédios

A busca por resultados cada vez mais altos virou rotina no mundo corporativo. Com metas agressivas e cobrança constante, muitos profissionais têm recorrido a um recurso polêmico para manter o ritmo: as chamadas smart drugs, também conhecidas como nootrópicos.

Essas substâncias foram criadas para tratar doenças como TDAH e narcolepsia, mas hoje estão sendo consumidas por pessoas saudáveis em busca de mais foco, memória e resistência ao cansaço. O problema é que o uso fora do contexto médico vem se tornando um “doping intelectual” silencioso.

Uma pesquisa da BMI (Blue Management Institute), consultoria especializada em cultura organizacional, revelou que 61% dos entrevistados enxergam a pressão dos gestores como fator determinante para o consumo desses remédios. Além disso, 74,2% apontam as metas agressivas como grandes responsáveis pelo estresse e pelo uso, enquanto 69,3% afirmam que o medo de críticas no ambiente de trabalho também empurra colegas para essa prática.

O dilema é ético e preocupante. De um lado, metade dos profissionais acredita que as empresas aceitam, de forma direta ou indireta, o uso das substâncias para melhorar resultados. Do outro, 38,7% defendem que a decisão deve ser pessoal. Mas até que ponto vale ultrapassar os limites humanos com a ajuda de químicos comprados, muitas vezes, no mercado paralelo e sem acompanhamento médico?

Riscos e impactos

O consumo de smart drugs levanta sérios alertas. No nível individual, ainda não se sabe os efeitos colaterais a longo prazo, há risco de dependência e complicações pelo uso sem orientação médica. Já no nível organizacional, o problema pode mascarar falhas na gestão, criar um ambiente de competição desigual e corroer a cultura de bem-estar nas empresas.

O que as empresas podem fazer

Especialistas afirmam que é papel das lideranças reconhecer o problema e trazer o tema para o debate. É preciso criar um ambiente onde o sucesso não dependa de substâncias químicas, mas sim de equilíbrio, preparo e gestão saudável. Isso inclui:

Diálogo aberto: falar sobre os riscos e deixar claro que o uso de remédios não deve ser uma expectativa velada.

Políticas claras: estabelecer regras que abordem o consumo de substâncias psicoativas, sempre respeitando a autonomia do indivíduo.

Apoio especializado: buscar parcerias médicas e programas de saúde corporativa para conscientizar e oferecer alternativas.

Um exemplo é o workshop promovido pela BMI em parceria com o Núcleo de Saúde Populacional do Hospital Sírio-Libanês, voltado para líderes e profissionais de RH. A iniciativa ajuda a compreender os impactos dessa prática e a criar um espaço para discussão responsável e transparente.

Para Ana Paula Vitelli, Managing Director da BMI, o caminho passa pelo reconhecimento do problema. “Enfrentar essa questão exige que empresas e profissionais estejam dispostos a abrir o diálogo e repensar como medem o sucesso dentro das organizações.”

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