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Economia • 10:49h • 08 de junho de 2026

São Paulo lidera exportação de sementes e reforça papel da pesquisa agrícola no cenário global

Estado respondeu por mais de um terço das exportações brasileiras de sementes em 2025. Investimentos em pesquisa, inovação genética e controle de qualidade ajudam a consolidar São Paulo como referência internacional no setor

Jornalista: Carolina Javera MTb 37.921 com informações de Agência SP | Foto: Arquivo Âncora1

O setor global de sementes movimenta cerca de US$ 90 bilhões por ano.
O setor global de sementes movimenta cerca de US$ 90 bilhões por ano.

Com a agricultura mundial enfrentando desafios cada vez maiores diante das mudanças climáticas e da necessidade de ampliar a produção de alimentos, São Paulo se destaca como o principal exportador de sementes do Brasil. O desempenho é impulsionado, principalmente, pelos investimentos em pesquisa, inovação genética e desenvolvimento de novas cultivares adaptadas às condições tropicais.

Levantamento do pesquisador José Alberto Ângelo, do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), mostra que o estado foi responsável por 36,2% das exportações brasileiras de sementes em 2025. Ao longo do ano, foram embarcadas cerca de 14 milhões de toneladas, gerando uma receita de US$ 94,6 milhões. Entre os principais produtos exportados estão as sementes de milho para semeadura e as sementes forrageiras, segmentos nos quais o Brasil possui destaque internacional.

Pesquisa impulsiona competitividade

A força do setor está diretamente ligada ao trabalho desenvolvido pelas instituições de pesquisa vinculadas à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA). O órgão reúne sete institutos especializados que atuam em diferentes etapas da cadeia produtiva.

O Instituto de Zootecnia (IZ-APTA), por exemplo, abriga o maior banco de germoplasma de plantas forrageiras da América Latina. Já o Instituto Biológico (IB-APTA) é referência nacional em sanidade vegetal e segurança fitossanitária. O Instituto Agronômico (IAC-APTA), por sua vez, é reconhecido internacionalmente pelo desenvolvimento de variedades agrícolas adaptadas às condições brasileiras.

Congresso mundial debate futuro das sementes

A importância estratégica do setor ficou evidente durante o World Seed Congress 2026, realizado no fim de maio, em Lisboa. Considerado o maior encontro global da indústria de sementes, o evento reuniu mais de 1.800 participantes de 78 países e representantes de mais de 900 empresas e organizações.

Durante o congresso, especialistas discutiram temas como inovação genética, sustentabilidade, segurança alimentar e os desafios impostos pelas mudanças climáticas. O mercado global de sementes movimenta aproximadamente US$ 90 bilhões por ano, e algumas empresas chegam a investir até 30% de seu faturamento em pesquisa e desenvolvimento.

Dados apresentados pela International Seed Federation (ISF) mostram que, somente na União Europeia, as inovações em sementes são responsáveis por cerca de 74% dos ganhos de produtividade nas lavouras. O cenário reforça a importância do desenvolvimento de variedades mais resistentes e produtivas, especialmente diante de eventos climáticos extremos.

Pirataria de sementes preocupa setor

Entre os principais desafios discutidos no congresso esteve o combate à pirataria de sementes. No Brasil, a prática provoca prejuízos estimados em R$ 2,44 bilhões por ano, segundo a Associação Brasileira de Sementes e Mudas (Abrasem).

Além das perdas econômicas, o uso de sementes piratas representa riscos significativos para os produtores. Comercializadas sem seguir os critérios exigidos pela legislação, elas não oferecem garantias de germinação, identidade genética ou sanidade fitossanitária. Também impedem o acesso ao seguro agrícola em caso de perdas na lavoura.

As culturas mais afetadas pela pirataria são o feijão, com cerca de 80% das sementes utilizadas sem certificação, seguido por arroz (44%), algodão (43%), soja (29%) e trigo (25%).

Segundo o pesquisador e melhorista de plantas do Instituto Agronômico (IAC-APTA), Alisson Fernando Chiorato, o problema compromete tanto a produtividade quanto a inovação no campo.

“A pirataria é prejudicial porque o agricultor muitas vezes planta um material cuja origem desconhece, sujeito a problemas de doenças ou baixa germinação. Além disso, ela desestimula os investimentos em pesquisa e inovação tecnológica”, explica.

O especialista destaca ainda que a compra de sementes certificadas contribui para financiar novos programas de melhoramento genético, gerando benefícios que retornam diretamente aos produtores rurais.

Controle de qualidade garante segurança

Em São Paulo, o Laboratório de Análise de Sementes e Mudas da CATI é o único responsável pela validação normativa e pelo controle de qualidade de sementes importadas. Credenciado pelo Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e associado à International Seed Testing Association (ISTA), o laboratório emite certificados seguindo padrões internacionais exigidos pelo mercado global.

A estrutura também atua na fiscalização de produtores paulistas e integra a CATI Sementes e Mudas, que mantém um centro de produção e três núcleos especializados, responsáveis por garantir sementes com certificação genética, fisiológica e sanitária.

Além disso, o órgão participa de projetos de pesquisa voltados ao aprimoramento das análises de espécies florestais, como o mogno africano, em parceria com a Embrapa Florestas e outras instituições.

Setor ganha importância diante das mudanças climáticas

A participação paulista no World Seed Congress ocorre em um momento em que o desenvolvimento de sementes mais resistentes e produtivas se torna essencial para garantir a segurança alimentar global. Com a intensificação dos efeitos das mudanças climáticas e a necessidade de aumentar a produção agrícola de forma sustentável, a pesquisa genética e a inovação no setor de sementes assumem papel cada vez mais estratégico para o futuro da agricultura.

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