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Gastronomia & Turismo • 12:19h • 11 de outubro de 2026

São Paulo produz até 6 milhões de sacas de café por ano e pesquisa variedade sem cafeína

Produção ajudou a transformar o interior de São Paulo, impulsionou ferrovias e hoje reúne pesquisas, diferentes tipos de grãos e sete Indicações Geográficas reconhecidas

Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações do Governo de SP | Foto: Divulgação

Café paulista tem 200 anos de história e até variedade naturalmente sem cafeína em desenvolvimento
Café paulista tem 200 anos de história e até variedade naturalmente sem cafeína em desenvolvimento

O café, uma das bebidas mais consumidas pelos brasileiros, tem uma relação histórica com o desenvolvimento do estado de São Paulo. Introduzido no território paulista durante o século XIX, pelo Vale do Paraíba, o cultivo avançou para o interior, acompanhou a expansão das ferrovias e contribuiu para o crescimento econômico de diversas regiões, incluindo a Alta Paulista e a Alta Sorocabana.

Atualmente, a produção estadual varia entre 4,5 milhões e 6 milhões de sacas por ano, enquanto pesquisadores trabalham no desenvolvimento de novas variedades, incluindo um café naturalmente sem cafeína.

A trajetória da cafeicultura paulista ganhou destaque nas comemorações do Dia Internacional do Café, celebrado em 1º de outubro. A data, reconhecida pela Organização Internacional do Café (OIC), também passou a contar, em 2026, com reconhecimento por resolução da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Segundo o engenheiro agrônomo Fernando Nakayama, pesquisador da APTA Regional de Adamantina, a diversidade de solos, climas e altitudes permite que São Paulo produza cafés com características bastante distintas. Regiões mais quentes do oeste paulista apresentam condições diferentes das encontradas na Mantiqueira e na Mogiana, onde as altitudes são maiores.

Essa variedade de ambientes influencia o desenvolvimento dos grãos, a produtividade das lavouras e as características sensoriais da bebida.

Dez curiosidades sobre o café produzido em São Paulo

1. O café ajudou a desenvolver cidades do interior

A expansão dos cafezais acompanhou a construção de ferrovias e contribuiu para a ocupação e o crescimento econômico de diferentes regiões paulistas. Na Alta Paulista, Alta Sorocabana e no Noroeste do estado, a cultura teve papel importante durante décadas.

2. O mesmo estado produz cafés com características diferentes

São Paulo reúne regiões de baixa altitude e clima quente, áreas montanhosas e locais de maior umidade. Essas condições formam diferentes terroirs, expressão utilizada para identificar a influência do ambiente sobre as características dos produtos agrícolas.

3. Criar uma nova variedade pode levar até 50 anos

O desenvolvimento de uma cultivar de café pode exigir entre 40 e 50 anos de pesquisas. O Instituto Agronômico (IAC) mantém um programa de melhoramento com 94 anos de atividades, responsável pela criação de 68 cultivares. Segundo a instituição, materiais desenvolvidos pelo programa estão presentes em aproximadamente 90% dos plantios de café arábica no Brasil e 70% no mundo.

4. São Paulo abriga o maior banco de germoplasma de café do Brasil

Mantido pelo IAC desde a década de 1930, o acervo reúne aproximadamente 20 mil plantas de 16 espécies. O material é utilizado em pesquisas para identificar características genéticas importantes e desenvolver variedades adaptadas a diferentes condições de cultivo.

5. Pesquisadores desenvolvem café naturalmente sem cafeína

O IAC trabalha na criação de uma cultivar que não produza cafeína naturalmente, a partir de uma mutação identificada na planta. A pesquisa utiliza melhoramento genético convencional, com ensaios regionais em andamento, e edição gênica, ainda em fase inicial. A proposta é produzir grãos que dispensem a retirada industrial da cafeína.

6. O estado também produz cafés robusta de qualidade

Embora seja tradicionalmente associado ao café arábica, São Paulo também cultiva Coffea canephora, espécie que inclui robusta e conilon. Segundo Fernando Nakayama, algumas produções paulistas já alcançam pontuações superiores a 80 em avaliações sensoriais, resultado associado às condições de cultivo e aos processos de pós-colheita.

7. Arábica e robusta possuem características distintas

O café arábica costuma ser valorizado por seus aromas e características sensoriais, enquanto o robusta contribui para a intensidade da bebida, a quantidade de sólidos solúveis e a formação do creme do espresso. A combinação dos dois tipos dá origem aos chamados blends.

8. São Paulo possui sete Indicações Geográficas de café

O estado conta com sete Indicações Geográficas reconhecidas pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI). Essas certificações valorizam características associadas às regiões produtoras, incluindo variedades cultivadas, manejo e processos de beneficiamento dos grãos.

9. A capital abriga um cafezal com mais de 3 mil pés

O Instituto Biológico, localizado na Vila Mariana, em São Paulo, mantém um cafezal urbano de aproximadamente 10 mil metros quadrados. Com mais de 3 mil plantas, o espaço é utilizado para pesquisas, atividades educativas e divulgação da cultura cafeeira.

10. São Paulo produz milhões de sacas e também é grande consumidor

Segundo Celso Vegro, pesquisador do Instituto de Economia Agrícola (IEA-APTA), a produção paulista varia entre 4,5 milhões e 6 milhões de sacas anualmente, volume próximo ao consumo estadual. Aproximadamente um quarto do café brasileiro destinado ao mercado interno é consumido em São Paulo.

Pesquisa mantém a cafeicultura em transformação

Além de sua importância histórica, o café continua sendo objeto de estudos voltados ao melhoramento genético, à qualidade dos grãos e à adaptação das lavouras às condições ambientais.

Instituições ligadas à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (APTA), como o Instituto Agronômico e o Instituto de Economia Agrícola, desenvolvem pesquisas que contribuem para a evolução da produção e para a valorização dos cafés de diferentes regiões do estado.

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