Gastronomia & Turismo • 17:00h • 08 de outubro de 2026
São Paulo quer reunir 284 cidades turísticas em até 12 roteiros para atrair visitantes
Proposta pretende organizar destinos por identidade regional e estimular viagens mais longas pelo estado; turismo deve movimentar R$ 369,4 bilhões em 2026
Jornalista: Luis Potenza MTb 37.357 | Com informações da ACSP | Foto: Arquivo/Âncora1
O Governo de São Paulo pretende reorganizar a promoção de seus 284 municípios turísticos, entre estâncias e cidades de interesse turístico, em dez a 12 grandes roteiros regionais. A proposta foi apresentada nesta quarta-feira (7) pela secretária estadual de Turismo e Viagens, Ana Biselli Aidar, durante encontro na Associação Comercial de São Paulo (ACSP), e busca facilitar a escolha dos viajantes e ampliar sua permanência nos destinos paulistas.
A ideia não é selecionar apenas dez ou 12 municípios, mas integrar as 284 cidades aos diferentes roteiros de acordo com suas características. Entre os exemplos apresentados está a Serra da Mantiqueira, reunindo São Bento do Sapucaí, Campos do Jordão e Santo Antônio do Pinhal, além do circuito "fé, serra e mar", conectando Aparecida, regiões de montanha e o litoral.
A mudança ocorre em um momento de expansão do setor. Projeções da Secretaria de Turismo e Viagens (Setur-SP) indicam que o turismo deve movimentar R$ 369,4 bilhões no estado até o final de 2026, equivalente a 9,9% do PIB paulista. A estimativa é de aproximadamente 1 milhão de empregos diretos e 52,8 milhões de visitantes ao longo do ano.
Recursos e dados devem entrar na estratégia
O Departamento de Apoio ao Desenvolvimento dos Municípios Turísticos (Dadetur), responsável por repassar recursos a estâncias e municípios de interesse turístico, deverá considerar com maior peso os planos municipais e regionais e a capacidade das prefeituras de executar os projetos apresentados.
Outra mudança prevista envolve o Centro de Inteligência da Economia do Turismo (CIET). A proposta é incorporar dados de telefonia móvel para acompanhar os deslocamentos dos visitantes e melhorar a análise dos fluxos turísticos pelo território paulista.
A estratégia estadual inclui ainda 13 estruturas náuticas já em operação, entre píeres, rampas e plataformas instaladas em municípios próximos a rios e represas, além de outras 22 previstas para o próximo ciclo. Rotas temáticas ligadas ao vinho, café, cachaça, queijo e cerveja também integram as iniciativas.
A Setur-SP discute ainda com a Casa Civil a governança dos distritos turísticos, que dependem da articulação entre municípios, diferentes áreas do governo e investimentos privados. Entre os indicadores propostos para avaliar os resultados estão tempo de permanência, gasto realizado no destino e qualidade de vida da população local.
Turismo brasileiro ainda está abaixo da média mundial no PIB
Durante o encontro, o executivo Fábio Godinho, que já comandou empresas dos setores de turismo, hotelaria e aviação, apresentou dados do World Travel & Tourism Council (WTTC) segundo os quais viagens e turismo representaram 7,7% do PIB brasileiro em 2025, diante de uma média mundial próxima de 10%.
O Brasil recebeu 9 milhões de turistas estrangeiros naquele ano, maior resultado da série histórica da Embratur citada durante o encontro. Desse total, 3,1 milhões vieram da Argentina.
Godinho também apresentou à ACSP uma proposta própria de planejamento para o turismo brasileiro, independente do governo estadual, que prevê R$ 217 bilhões em investimentos ao longo de dez anos em áreas como infraestrutura urbana, segurança, portos, cruzeiros, aeroportos, conectividade aérea e promoção internacional.
O plano estabelece como metas alcançar 22 milhões de visitantes estrangeiros e elevar a participação do turismo no PIB brasileiro para 13% até 2036.
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